
Presidente do México responde a críticas sobre consulados nos EUA

A presidente do México, Claudia Sheinbaum, negou nesta sexta-feira (8) que os consulados de seu país nos EUA sejam usados como centros com alguma ingerência política contra o ocupante da Casa Branca, Donald Trump.
"É completamente falso. O que fazem os consulados (...) é sempre proteger seus cidadãos, ao mesmo tempo em que abrem todas as possibilidades", afirmou a mandatária em sua habitual coletiva de imprensa diária.
A polêmica surgiu após uma informação publicada na quinta-feira (7) pela CBS, segundo a qual o Departamento de Estado dos EUA iniciou uma "revisão" dos 53 consulados que o México mantém no país. O objetivo seria avaliar o fechamento de algumas unidades, de acordo com o veículo.
▶️ Sheinbaum rechaza que consulados de México en EU hagan política contra gobierno de Trump: "protegen a sus ciudadanos"📺 #LaMañaneraDelPueblo por @mileniotvpic.twitter.com/wFErTu0Jsh
— Milenio (@Milenio) May 8, 2026
Nesse contexto, Claudia Sheinbaum destacou que os consulados desempenham apenas duas funções fundamentais: manter as relações bilaterais e prestar assistência a seus compatriotas.
"Como os ajudam? Com trâmites que precisam realizar (...) e quando há uma operação migratória ou alguma situação enfrentada por um mexicano, eles têm a obrigação de lhes dar proteção, fornecer um advogado e apoiá-los. Essa é a função", acrescentou.
Na mesma linha, reiterou ser "absolutamente falso" que existam intenções políticas por trás da atuação dessas representações. "Não é que os consulados realizem algum tipo de política nos EUA contra o Governo ou qualquer outra situação", afirmou.
Sheinbaum ressaltou que seu país, em respeito à própria Constituição, defende princípios como a autodeterminação dos povos. "Não temos por que influenciar a política dos EUA a partir do México. O que fazemos é defender os mexicanos que vivem lá", enfatizou.

Além disso, Sheinbaum negou ter qualquer informação sobre as "revisões" que supostamente seriam realizadas nos consulados, conforme noticiado pela CBS, mas considerou que "não haveria motivo para isso", já que essas representações são "muito respeitosas com a política" do país vizinho.
As tensões ocorrem em um momento delicado nas relações entre México e EUA. A morte de dois agentes da CIA no país latino-americano, que horas antes haviam participado de uma operação ilegal contra o narcotráfico, levou Sheinbaum a apresentar uma reclamação. A ação não havia sido comunicada ao seu Governo.
O Governo Trump não ofereceu explicações nem pediu desculpas pelas irregularidades cometidas por seus agentes de inteligência, mas dias depois surpreendeu ao solicitar a extradição de funcionários e ex-funcionários mexicanos supostamente ligados ao narcotráfico. Pelo menos três deles pertencem ao partido da presidente.
