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O sol não lhe agrada: Trump compromete energia renovável dos EUA por laços com a China

Grandes empresas de energia solar, junto com bancos e seguradoras, pararam de fazer negócios com pelo menos seis fábricas americanas de painéis solares.
O sol não lhe agrada: Trump compromete energia renovável dos EUA por laços com a ChinaGettyimages.ru / Costfoto / NurPhoto

Grandes empresas de energia solar, junto com bancos e seguradoras, pararam de fazer negócios com pelo menos meia dúzia de fábricas de painéis solares dos EUA recém-construídas devido à incerteza das consequências legais de seus laços com a China, informou a agência britânica Reuters na sexta-feira (8).

A mudança — impulsionada pelas novas políticas do governo de Donald Trump — coloca em risco mais de um terço da capacidade de fabricação solar dos EUA, em fábricas inicialmente construídas por empresas chinesas.

A reportagem, citando executivos do setor e documentos aos quais teve acesso, indica que estas ligações poderiam desqualificá-las de receber subsídios de energia limpa.

O Grande e Belo projeto

A preocupação decorre de provisões contidas no projeto de lei "One Big Beautiful Bill", promovido por Trump e aprovado pelo Congresso em 2025. A legislação cortou subsídios de energia limpa da aplicados durante o governo democrata de Joe Biden e restringiu o acesso de certos países estrangeiros, incluindo a China, aos incentivos remanescentes.

O Departamento do Tesouro dos EUA ainda não forneceu orientações completas sobre como a lei será implementada. A incerteza política, porém, está afastando instaladores e seguradoras das fábricas associadas ao país asiático.

Instaladores como a Sunrun, a maior empresa de energia solar residencial dos EUA, estão evitando estes fornecedores possivelmente comprometidos pela legislação de Trump. Em janeiro, a empresa distribuiu uma lista reduzida de fornecedores aprovados, excluindo fabricantes como Canadian Solar, JA Solar, Jinko, LONGi e Trina, todos com vínculos chineses.

Bancos como Morgan Stanley, JPMorgan e Goldman Sachs também reduziram o financiamento tributário para alguns projetos solares, enquanto seguradoras se recusam a cobrir empresas frente ao risco de serem impedidas de acessar os créditos tributários.

Empresas chinesas têm buscado se adequar às novas regras vendendo participações ou reestruturando suas operações. A JinkoSolar, que opera uma fábrica na Flórida, anunciou na sexta-feira (8) que concordou em vender 75,1% de sua subsidiária americana para a firma de capital privado FH Capital. A Illuminate USA, consórcio entre a chinesa LONGi e a Invenergy, reduziu a participação da empresa chinesa em uma planta em Ohio para menos de 25%.

Comprometimento do setor

Especialistas apontam que essa política pode ser contraproducente, colocando em risco o crescimento de empregos na indústria e a geração de energia nos EUA, em um momento de aumento das contas de serviços públicos e uma crescente demanda por eletricidade ligada a data centers que atendem à indústria de inteligência artificial.

As fábricas originalmente construídas e operadas por produtores ligados à China representam pelo menos 25 gigawatts (GW) dos cerca de 66 GW da capacidade de fabricação de módulos solares do país.