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Bloqueio de Ormuz arrisca 'nova fase, mais perigosa' em crise energética mundial, alertam especialistas

Operadores e economistas alertam não apenas para novos aumentos no preço do petróleo, mas também para o risco de paralisações industriais e recessão mundial caso o Estreito de Ormuz não seja reaberto.
Bloqueio de Ormuz arrisca 'nova fase, mais perigosa' em crise energética mundial, alertam especialistasGettyimages.ru / Firdous Nazir/NurPhoto

O bloqueio do estreito de Ormuz, provocado pelo conflito contra o Irã, agravou o temor de uma nova turbulência energética global, justamente com a aproximação do verão no hemisfério norte. O mundo se aproxima de uma "nova fase, mais perigosa, da crise energética", com quase 80 países já tendo adotado medidas de emergência diante da possibilidade de um novo salto nos preços do petróleo, informou o Financial Times no domingo (17).

O aumento da demanda por ar-condicionado e pelas viagens de férias no hemisfério norte, coincidindo com a chegada do verão, exercerá uma pressão adicional sobre os suprimentos de petróleo bruto, gasolina, diesel e combustível de aviação, no momento em que as reservas mundiais diminuem no ritmo mais rápido já registrado.

Analistas de mercado e operadores do setor alertam que, caso o fluxo de exportação de petróleo bruto pelo Golfo Pérsico não seja restabelecido, o barril poderá registrar uma nova escalada acentuada, com consequências para a atividade industrial, o consumo e o crescimento global.

Paul Diggle, economista-chefe da Aberdeen, afirmou ao jornal que sua equipe está até mesmo considerando um cenário em que o petróleo Brent atinja US$ 180 por barril. Caso isso ocorra, o aumento pressionaria a inflação e empurraria diversas economias da Europa e da Ásia para a recessão. Diggle, contudo, ressalta que esse não é o cenário principal, por enquanto.

Medidas de emergência

Dados da Agência Internacional de Energia, citados pelo veículo, indicam que 76 países já adotaram algum tipo de resposta de emergência, contra 55 registrados no final de março.

A Austrália, por exemplo, planeja destinar US$ 7,22 bilhões (cerca de R$ 36,5 bilhões) para reforçar suas reservas de combustível e fertilizantes.

A Índia solicitou à população que limite a compra de ouro e reduza as viagens ao exterior para férias, a fim de preservar as reservas cambiais, enquanto a França prepara uma ampliação de seus apoios para proteger sua economia.

As medidas se somam a outras adotadas desde março, logo após o início da guerra contra o Irã, quando o Paquistão, o Sri Lanka e as Filipinas passaram temporariamente a adotar semanas de trabalho de quatro dias.

O comissário europeu dos Transportes, Apostolos Tzitzikostas, sugeriu que, se o conflito no Oriente Médio "não terminar nas próximas semanas" e o Estreito de Ormuz não for reaberto, o mundo poderá entrar em recessão.