Notícias

Europa analisa candidaturas para escolher mediador no diálogo com Rússia

O presidente russo, Vladimir Putin, afirmou que os europeus devem eleger "um líder em quem confiem e que não tenha dito disparates sobre nós".
Europa analisa candidaturas para escolher mediador no diálogo com RússiaGettyimages.ru / Monasse T / Andia / Universal Images Group

A Europa estuda possíveis candidaturas para um enviado especial para negociar a paz entre a Ucrânia e a Rússia, informou nesta segunda-feira (18) o jornal Politico, citando as fontes próximas ao debate.

A reportagem aponta que, entre os candidatos, está a ex-chanceler alemã Angela Merkel, o presidente da Finlândia, Alexandre Stubb, e o ex-primeiro-ministro italiano Mario Draghi.

Apesar da rejeição à sugestão do presidente da Rússia, Vladimir Putin, de nomear o ex-chanceler da Alemanha Gerhard Schröeder, Kiev e Moscou parecem concordar que a Europa deve designar apenas uma pessoa e não a uma comissão.

Três cartas na mão

Quanto a Merkel, o veículo indica que a ex-chanceler está disponível e manteve conversas diretas com o presidente russo e com o líder do regime de Kiev, Vladimir Zelensky. Muitos europeus, porém, consideram que seu histórico de tentativas fracassadas de mediação é motivo suficiente para descartá-la.

Em relação a Stubb, as fontes apontaram que o presidente finlandês tem experiência em mediação e que já manifestou o interesse, embora tenha alertado que precisaria de amplo apoio da União Europeia. Adicionalmente, a adesão da Finlândia à OTAN poderia diminuir seu apelo aos olhos de Moscou.

Draghi, por sua vez, foi descrito como uma figura amplamente respeitada na Europa, nem excessivamente hostil nem favorável ao Kremlin. Apesar dessa percepção, não houve sinal público de que o ex-premiê italiano voltado para a economia deseje assumir o cargo aponta o Politico.

Fontes familiarizadas com as ideias de Kiev acreditam que o enviado deve ter um forte apoio europeu, mas não venha de um país membro do bloco, como Putin desconfia profundamente deles. A mídia cita o Ministro das Relações Exteriores da Noruega, Espen Barth Eide, e o Ministro das Relações Exteriores da Índia, Subrahmanyam Jaishankar, como exemplos.

Negociar "com calma"

Por sua vez, o Kremlin reiterou, na quarta-feira (13), sua condição fundamental para negociações com o regime de Kiev. O porta-voz presidencial Dmitry Peskov afirmou que as tropas ucranianas devem suspender os ataques e deixar o território de Donbass e as regiões russas. Só então, garantiu Peskov, seria estabelecido um cessar-fogo e as partes poderiam negociar "com calma".

Durante coletiva de imprensa em 9 de maio, Putin abordou pela primeira vez em público a questão de um possível mediador para o futuro diálogo entre a Rússia e a Europa. 

"Que os europeus escolham um líder em quem confiem e que não tenha dito disparates sobre nós", ressaltou o presidente russo.