Sheinbaum diz que Trump não repete acusações contra o México em conversas diretas

Segundo a presidente mexicana, o líder dos EUA, que faz declarações públicas sobre supostos "narcogovernos" no México, nunca reiterou essas acusações durante telefonemas ou encontros privados.

A presidente do México, Claudia Sheinbaum, afirmou nesta segunda-feira (18) que Donald Trump não repete pessoalmente as acusações de que o país seria governado pelo narcotráfico durante as conversas entre ambos.

"Ele já disse isso, mas toda vez que conversamos não diz isso para mim. Ele disse: 'no México há governos do narcotráfico', mas não se refere à presidente. Além disso, sempre digo a ele que isso não é verdade, que quem governa é o povo", declarou em coletiva de imprensa.

Na ocasião, Sheinbaum descreveu as medidas que os EUA poderiam adotar para reduzir de maneira efetiva o narcotráfico na região.

"Qual é a melhor maneira de os Estados Unidos apoiarem o México? Reduzindo o consumo (de drogas), impedindo a entrada de armas no México (...) e combatendo os cartéis que operam nos Estados Unidos, porque, como já disse: quem distribui a droga nos Estados Unidos, quem vende a droga nos Estados Unidos?", afirmou a mandatária.

"O melhor que podem fazer é investir em prevenção, saúde pública (...), reduzir a entrada de armas para não fortalecer os grupos criminosos, combater a lavagem de dinheiro nos Estados Unidos, porque quando a droga é vendida, para onde vai esse dinheiro?", questionou.

"Isso se chama soberania"

Ela também afirmou que a ajuda com informações é bem-vinda, mas que quem deve combater o narcotráfico no México são as autoridades locais, e não os EUA.

"Isso se chama soberania, e os mexicanos não podem esquecer o quanto custaram a soberania e a independência. Essa ideia de que a atuação do Exército dos EUA no México vai nos ajudar não é correta. Ajudem-nos lá", declarou.

Diante da onda de políticos americanos que defendem que os EUA combatam a narcopolítica no México, Sheinbaum considerou que se trata apenas de uma narrativa sem sustentação nos fatos.

"Por que estão tão interessados no México? Que cuidem primeiro dos problemas deles", reiterou.