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Evo Morales apresenta proposta para encerrar conflito social na Bolívia

As declarações do líder da oposição foram repudiadas pelo presidente Rodrigo Paz.
Evo Morales apresenta proposta para encerrar conflito social na BolíviaJuan Karita / AP

O ex-presidente da Bolívia Evo Morales apresentou na terça-feira (19) uma proposta para "pacificar" o país, mergulhado há semanas em um conflito político e social que afeta a administração do presidente conservador Rodrigo Paz.

"Segundo a Constituição, quando não há governabilidade, quando há abandono, quando há conflitos como estes, em três meses [deve haver] uma convocação para eleições", disse o político opositor em uma entrevista .

Morales criticou as disputas internas que, em sua opinião, têm marcado o Governo de Paz, entre elas as supostas diferenças entre o próprio presidente e seu vice-presidente, Edmand Lara.

Além disso, Morales classificou o atual presidente boliviano como um "presidente por acidente, sem estrutura política e sem programa", acusando-o de ignorar as demandas dos sindicatos e movimentos sociais que saíram às ruas contra suas medidas econômicas, classificadas pelo ex-presidente como "neoliberais".

As declarações do líder da oposição foram repudiadas por Paz, que afirmou que Morales "delira".

"Um dia ele aumenta a temperatura e declara uma coisa, hoje a temperatura baixa e ele declara outra", afirmou em declarações citadas pela Unitel.

"Não vou pedir desculpas pelas declarações de um ex-presidente que nunca assumiu a democracia como sua, mas como uma via de controle por meio de um partido no governo do Estado e do controle da sociedade boliviana", acusou o presidente boliviano.

Crise

Há mais de duas semanas, o país sul-americano vive uma onda de protestos populares e bloqueios de estradas que começaram com reivindicações ao Executivo relacionadas aos salários, ao acesso aos combustíveis e à rejeição de outras decisões, como a revogação da lei de terras, mas que com o passar dos dias se intensificaram em exigências, intensidade e alcance.

Nos últimos dias, milhares de manifestantes concentrados em La Paz exigiram a renúncia do presidente e de parte de seu gabinete, em meio a confrontos e ações repressivas das forças de segurança.

Enquanto isso, Paz denunciou que os protestos têm caráter insurrecional e recebeu apoio do Governo dos Estados Unidos, que responsabilizou pelos acontecimentos as organizações políticas derrotadas nas eleições do ano passado.

Washington também acusou esses dirigentes — sem citá-los diretamente — de atuar em conluio com o "crime organizado e narcotraficantes", mas não apresentou nenhuma prova que sustentasse a acusação.