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Presidente da Bolívia anuncia mudanças em gabinete em meio a protestos

Há mais de duas semanas, o país sul-americano vem vivenciando uma onda de protestos, com milhares de manifestantes exigindo a renúncia do presidente.
Presidente da Bolívia anuncia mudanças em gabinete em meio a protestosGettyimages.ru / Anadolu / Colaborador

O presidente boliviano, Rodrigo Paz, anunciou na quarta-feira (20) que, após atingir determinados objetivos, particularmente a estabilização da economia, fará mudanças em seu gabinete ministerial, no interesse de incorporar outros setores sociais que hoje não se sentem representados por sua gestão.

"Entendo que o esforço para organizar um governo, uma vez superados certos obstáculos ou decisões, como a estabilização da economia, significa que ele precisa ser um governo de todos os bolivianos. Essa sempre foi a nossa intenção. Mas ainda assim, algumas pessoas dizem: 'Rodrigo, queremos participar.'", afirmou o presidente.

Paz expressou em seu pronunciamento televisionado que aspira a "reorganizar um gabinete para que tenha capacidade de escutar" porque "o presidente não pode estar em todos os lugares, não pode resolver todos os problemas, mas tem que atender a todos os problemas. E é para isso que servem os ministros, os vice-ministros e as entidades executoras."

Crise na Bolívia

Há mais de duas semanas, o país sul-americano vem vivenciando uma onda de protestos e bloqueios de estradas. Iniciados com reivindicações ao governo relacionadas a salários, acesso a combustível e certas decisões, como a revogação da lei fundiária, os protestos se intensificaram, tanto em suas demandas quanto em seu alcance, ao longo dos dias.

Milhares de manifestantes se reuniram em La Paz e exigiram a renúncia do presidente Rodrigo Paz e de membros de seu gabinete, em meio a confrontos e ações repressivas das forças de segurança.

Enquanto isso, Paz denunciou os protestos como tendo caráter insurrecional e recebeu o apoio do governo dos EUA, que atribuiu os eventos às organizações políticas derrotadas nas eleições do ano passado. Washington também acusou líderes – que não foram nomeados diretamente – de agirem em conluio com o "crime organizado e narcotraficantes", embora não tenha apresentado provas para sustentar a alegação.