Jogados para escanteio: Israel fica à margem de negociações entre EUA e Irã — NY Times

Após liderar discussões militares com Trump, Netanyahu enfrenta marginalização nas negociações de paz, dependendo de fontes regionais e vigilância própria para acompanhar diálogos.

O governo americano de Donald Trump afastou Israel das negociações de cessar-fogo com o Irã, chegando ao ponto em que os líderes israelenses teriam sido praticamente excluídos do circuito de informaçõesapontou neste sábado (23) o jornal americano The New York Times, citando dois oficiais da defesa israelense.

Inicialmente protagonista nas discussões sobre o ataque conjunto a Irã em 28 de fevereiro, o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu se encontrava na Sala de Situação presidencial ao lado de Donald Trump, conduzindo discussões e projetando que a ofensiva planejava colapsar o Irã. Contudo, semanas após previsões grandiloquentes se mostrarem um fiasco, a realidade se transformou drasticamente.

Privado de informações pelo seu aliado mais próximo, o governo israelense busca reconstituir fragmentos das tratativas de encerramento do conflito, segundo as fontes da reportagem. As autoridades de Israel recorreriam a conexões com autoridades e diplomatas regionais, além de utilizar sua própria vigilância infiltrada no governo iraniano.

Ostracizado?

Este rebaixamento à classe econômica implica em consequências potencialmente graves para o país e, especialmente para Netanyahu.

O premiê de Israel comercializou durante anos sua imagem como intérprete privilegiado de Trump, supostamente capaz de conquistar e preservar o apoio presidencial, assegurando à população israelense em discurso televisionado no início da campanha militar que conversava com o presidente americano "quase diariamente", trocando ideias e "decidindo juntos".

Netanyahu havia conduzido Israel à guerra em fevereiro almejando objetivos grandiosos que perseguia há décadas: interromper definitivamente o programa nuclear iraniano, eliminar seu arsenal de mísseis e, possivelmente, promover uma mudança de regime em Teerã. Contudo, nenhuma dessas metas foi concretizada.

Atualmente, ele enfrenta uma árdua batalha pela reeleição neste ano, que atravessa a polêmica internacional e doméstica com o ministro da Defesa, Itamar Ben-Gvir, seu processo criminal de crimes de corrupção e a aprovação preliminar da dissolução do Knesset, o parlamento israelense.

Agressão ao Irã