
Israel provoca e cobra governo da Espanha por agressão a ativistas; jurisdição é do governo basco

O Ministério das Relações Exteriores de Israel exigiu esclarecimentos do governo espanhol após a divulgação de imagens mostrando a agressão policial de ativistas repatriados da flotilha humanitária Global Sumud no aeroporto de Bilbao, cidade autônoma do País Basco, no sábado (23).
We demand an explanation from the Spanish government regarding its treatment of the flotilla anarchists pic.twitter.com/k2bbkKq7tm
— Israel Foreign Ministry (@IsraelMFA) May 23, 2026
O chanceler israelense Gideon Sa'ar convocou o encarregado de negócios espanhol para prestar explicações sobre as filmagens, de acordo com informações do jornal The Jerusalem Post.

O incidente no aeroporto de Bilbao resultou na prisão de quatro pessoas, acusadas de desobediência grave, resistência à autoridade e agressão a agentes. Os confrontos teriam começado quando familiares tentaram atravessar barreiras de segurança para receber os ativistas que retornavam da Turquia. Vídeos circulando nas redes mostram oficiais arrastando e golpeando manifestantes com cassetetes.
Histórico de atritos
Entre publicações acusando os manifestantes "anarquistas" de semear desordem por onde passam, a chancelaria israelense aproveitou o episódio para ironizar as críticas do governo de Pedro Sánchez.
O presidente do governo da Espanha já acusou o governo israelense de violar o direito internacional em algumas ocasiões; mais recentemente, a publicação da chancelaria alude ao rechaço ao ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben-Gvir, após a divulgação de um vídeo em que ele aparece zombando de ativistas detidos da flotilha.
Sánchez já havia proibido a entrada de Ben-Gvir na Espanha no ano passado e anunciou que Madri "vai pressionar Bruxelas" estender as medidas a nível europeu "com urgência".
Autonomia operacional
A demanda israelense, contudo, evidencia um equívoco fundamental de atribuição de responsabilidades. A corporação atuante no aeroporto de Bilbao é a Ertzaintza — força policial autônoma subordinada exclusivamente ao governo basco, e cujo nome pode ser lido nas fardas dos agentes nas imagens —, e não às autoridades centrais espanholas.
- Esta estrutura decorre do artigo 17 do Estatuto de Autonomia de Gernika, que desde 1979 confere ao País Basco competência para manter sua própria polícia.
Organizações não-governamentais condenaram o uso desproporcional da força, enquanto o partido basco EH Bildu exigiu o comparecimento do ministro regional de Segurança perante o parlamento autonômo. O Departamento de Segurança basco abriu investigação interna para apurar se os procedimentos operacionais foram respeitados durante a intervenção.
Interconnected global repression.We are outraged by the violent assault by the Ertzaintza(Basque autonomous police) against newly returned flotilla participants at BilbaoAirport.This is what is what the spread of violence looks like. The result of unchecked aggression… pic.twitter.com/jBZo5cOod9
— Global Sumud Flotilla (@gbsumudflotilla) May 23, 2026

