Israel pode boicotar as negociações entre Irã e EUA, afirmou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, no domingo (24) citado pela Al Jazeera.
"As entidades sionistas estão fazendo todo o possível para prejudicar o acordo, e esperamos algumas ações de Israel", disse o porta-voz, acrescentando que "nada está descartado".
"No entanto, os países que defendem a guerra e as hostilidades, incluindo as entidades sionistas, têm grande repercussão na mídia e podem influenciar os responsáveis americanos", destacou o funcionário.
Em declarações à imprensa, ele também acrescentou que a gestão do Estreito de Ormuz não está sendo discutida nas conversas com Washington, pois essa questão cabe aos países costeiros da região. Segundo Baghaei, por enquanto, os representantes iranianos não têm previsão de viajar ao Paquistão, que atua como mediador nas negociações.
"O Estreito de Ormuz será aberto"
- O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou no último sábado (23) que, após uma "ótima" conversa por telefone com vários chefes de Estado do Oriente Médio, um acordo de paz com a República Islâmica estaria prestes a ser concretizado. "Atualmente, estão sendo discutidos os aspectos e detalhes finais do acordo, que será anunciado em breve. Além de muitos outros elementos do acordo, o Estreito de Ormuz será aberto", escreveu o presidente em sua conta no Truth Social.
- No entanto, Trump não cessou suas ameaças contra a nação persa. No mesmo dia, afirmou que havia "50/50" de chances de se chegar a um acordo com o Irã ou, pelo contrário, de "explodi-los" retomando a guerra.
- O site Axios revelou o conteúdo do possível acordo, que, segundo o veículo, prevê uma prorrogação do cessar-fogo por 60 dias, durante os quais o estreito de Ormuz seria reaberto.
- Diante da possibilidade de o acordo não se concretizar, o major-general iraniano Ali Abdollahi Aliabadi, comandante do Quartel-General Central de Khatam al Anbiya, advertiu neste domingo (24) que o país persa responderá de forma "devastadora" a qualquer agressão dos EUA.
- Enquanto isso, a mídia relata que Netanyahu "estava furioso após a ligação" com Trump na última terça-feira (19) e que ficou preocupado após a conversa sobre o acordo com o Irã. Fontes da Axios afirmam que o primeiro-ministro israelense "estava furioso" após falar com seu aliado americano sobre uma nova proposta para pôr fim à guerra.