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Fornecimento de petróleo pode não voltar aos níveis pré-guerra contra Irã

"Aconteça o que acontecer, os iranianos controlarão o Estreito de Ormuz no futuro previsível. Nem importa o que diz o acordo", apontou um especialista.
Fornecimento de petróleo pode não voltar aos níveis pré-guerra contra IrãLegion-Media / demin pan

As exportações de petróleo pelo Estreito de Ormuz correm o risco de não retornar aos volumes registrados antes das agressões dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, de acordo com especialistas consultados pela CNBC no sábado (30).

O mercado de energia se depara com uma nova realidade, onde o tráfego de petroleiros pode se estabilizar em patamares significativamente menores, mesmo que haja um acordo entre Washington e Teerã.

O ex-conselheiro de energia e segurança nacional do presidente Joe Biden, Amos Hochstein, foi categórico: "Aconteça o que acontecer, os iranianos controlarão o Estreito de Ormuz no futuro previsível. Nem importa o que diz o acordo. Todos na região acreditam nisso."

A chefe de estratégia global de commodities da RBC Capital Markets, Helima Croft, concordou que os fluxos serão substancialmente reduzidos.

Richard Meade, editor-chefe da Lloyd's List, estimou que o tráfego pode se recuperar entre 60% e 70% dos volumes pré-guerra, com navios chineses operando com mais liberdade, enquanto embarcações ocidentais dependeriam de acordos bilaterais com o Irã.

O analista-chefe da S&P Global para o Oriente Médio, Jack Kennedy, alertou para incertezas sobre a duração da contração. Armadores temem minas no estreito e a possibilidade de retomada das hostilidades. "As operadoras terão que ponderar se estão dispostas a arriscar que suas embarcações fiquem presas por meses", observou.

Essa rota vital, que concentra cerca de 20% do petróleo e gás natural liquefeito comercializados no mundo, carece de alternativas viáveis.

Em um cenário de tensões geopolíticas persistentes, o Estreito de Ormuz pode definir um novo paradigma energético global: fluxos menores, maior influência iraniana e um risco estrutural que os mercados não poderão mais ignorar.