
Alemanha entrega a Israel o maior submarino construído no país desde a Segunda Guerra

As forças de Israel oficialmente incorporaram o INS Drakon, o submarino mais caro e tecnologicamente sofisticado já entregue à Marinha israelense, informou o jornal americano The Algemeiner na quarta-feira (5).
Construído pela alemã ThyssenKrupp Marine Systems (TKMS), a embarcação custou aproximadamente US$ 634 milhões, tornando-se a maior embarcação desse tipo produzida na Alemanha desde a Segunda Guerra Mundial.

A entrega ocorreu de forma discreta em julho, na cidade alemã Kiel. Originalmente previsto para 2025, o sexto e último submarino da classe Dolphin II amplia significativamente as capacidades estratégicas submarinas de Israel, em um contexto de crescentes tensões regionais com o Irã.
Com mais de 70 metros de comprimento e peso superior a 2 mil toneladas, o INS Drakon incorpora sistemas avançados de propulsão por célula de combustível de hidrogênio, permitindo permanecer submerso por semanas sem necessidade de oxigênio externo.
Especialistas navais apontam que a embarcação dispõe de tubos de lançamento vertical capazes de portar mísseis balísticos com ogivas nucleares, conferindo a Israel uma capacidade de segundo ataque a partir do mar.
Um acordo assinado em 2022 prevê investimento total de aproximadamente 3 bilhões de euros (cerca de US$ 3,5 bilhões), com o governo alemão cobrindo cerca de 20% dos custos, a despeito de pressões internacionais para isolar Israel.
A partir de 2031, Israel começará a receber três submarinos ainda maiores da classe Dakar, com entregas escalonadas a cada 18 meses. Essas embarcações substituirão gradualmente os submarinos Dolphin, Leviathan e Tekuma, em operação desde o final dos anos 1990.

Cooperação controversa
A parceria germano-israelense remonta a décadas na área da defesa, evidenciando como a Alemanha se tornou um dos principais clientes de Israel no campo militar; especialmente após a aquisição do sistema antimísseis Arrow 3 por aproximadamente 4 bilhões de euros (cerca de US$ 4,6 bilhões), em dezembro de 2025.
O projeto do INS Drakon, porém, enfrentou atrasos devido ao escândalo de corrupção conhecido como "Caso 3000", que resultou na prisão de sete suspeitos em 2017, acusados de promover contratos com a ThyssenKrupp em troca de propinas.
De acordo com a imprensa israelense, Michael Ganor, representante da empresa alemã em Israel, teria distribuído cerca de 10 milhões de euros (cerca de US$ 11,5 milhões) entre auxiliares próximos ao primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, incluindo o ex-diretor do gabinete do primeiro-ministro, David Sharan, e o ex-vice-chefe do Conselho de Segurança Nacional, Avriel Bar-Yosef.
Netanyahu, embora não indiciado, recebeu carta de advertência por conduta que "colocou em risco a segurança do Estado". O ex-ministro da Defesa Moshe Ya'alon chegou a renunciar em protesto, classificando o escândalo como "o caso tributário mais corrupto da história do país".
Segundo especialistas consultados pela imprensa internacional, a manutenção de sua entrega e o momento em que ocorre aponta para uma clara mensagem estratégica: em meio à guerra contra o Irã, Israel busca demonstrar sua capacidade de dissuasão nuclear, que alcança mesmo as profundezas do oceano.

