Uso excessivo de IA leva mais de 35% dos alunos a reprovar em disciplina de computação nos EUA

Professores da Universidade da Califórnia em Berkeley atribuem o aumento das reprovações ao uso excessivo de modelos de inteligência artificial nas tarefas.

Mais de 35% dos alunos da Universidade da Califórnia em Berkeley (EUA) foram reprovados nesta primavera em uma disciplina básica de informática, superando amplamente a taxa de reprovação anterior, que era de cerca de 7%, informa o New York Post em publicação na quinta-feira (4).

Dan Garcia, professor da UC Berkeley, afirmou ao jornal estudantil Daily Californian que o fracasso dos estudantes se deve ao uso excessivo de ferramentas de inteligência artificial (IA) para resolver as tarefas. Segundo ele, o abuso de modelos como o Claude, capazes de programar automaticamente, impede que os alunos adquiram os conhecimentos necessários para serem aprovados nas provas presenciais.

O professor também alertou para as deficiências na formação matemática dos estudantes.

Da mesma forma, a professora Gireeja Ranade revelou o relato de um aluno que lhe disse que, em uma disciplina de álgebra linear, era permitido o uso livre da internet e de ferramentas de IA tanto nos trabalhos quanto nas avaliações.

"Precisamos garantir que estamos preparando nossos estudantes para serem cidadãos e líderes íntegros que contribuam para a sociedade", afirmou Ranade.

"Esses são alunos de Berkeley, não apenas para o próximo ano ou para o seguinte, mas para os próximos 40 anos de suas vidas", acrescentou.

Docentes denunciam queda no nível acadêmico

Garcia faz parte de um grupo de 1.300 professores da instituição que denunciaram, em uma carta, que estão sendo obrigados a ensinar conteúdos de nível secundário em disciplinas universitárias, como cálculo.

Diante do elevado índice de reprovação em cursos de informática e em outras duas áreas, os docentes defenderam, em uma carta, o retorno dos exames nacionais de admissão SAT e ACT.

Essas provas padronizadas foram eliminadas da Universidade da Califórnia em 2020 com o objetivo de evitar desigualdades socioeconômicas e promover a diversidade.