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Papa Leão XIV faz discurso no Congresso espanhol, é ovacionado e alerta: 'Tecnologia não é neutra'

Primeiro pontífice a discursar no plenário da Câmara dos Deputados da Espanha, o Papa defendeu limites ao poder, criticou a corrida armamentista e afirmou que decisões sobre vida e morte não devem ser delegadas à inteligência artificial.
Papa Leão XIV faz discurso no Congresso espanhol, é ovacionado e alerta: 'Tecnologia não é neutra'Carlos Alvarez / Gettyimages.ru

O Papa Leão XIV discursou nesta segunda-feira (8) no Congresso dos Deputados da Espanha diante das principais autoridades do país. Ele foi recebido com uma ovação unânime no início de uma fala de mais de meia hora, na qual voltou a abordar o desafio da migração e os riscos da inteligência artificial.

Esta foi a primeira vez que um pontífice de Roma compareceu ao plenário do Parlamento espanhol, conforme destacou a presidente da Câmara, Francina Armengol, em suas palavras de boas-vindas, alinhadas ao conteúdo do discurso do Papa.

No início de sua intervenção, Leão XIV ressaltou o "valor irredutível de todo ser humano" e os necessários "limites do poder". Também afirmou que tanto a justiça quanto o bem comum devem ser "a medida das relações em nível nacional e internacional".

O Papa fez sua primeira referência à inteligência artificial, assegurando que "os novos mundos já não são desenhados nos mapas, mas na tecnologia, na economia ou na biomedicina".

"A tecnologia, por si só, não é neutra, porque assume o rosto de quem a concebe, a financia, a regula e a utiliza", sustentou. O pontífice defendeu a necessidade de refletir sobre "como a dignidade do trabalho, a solidariedade, a política social e o bem comum são hoje apresentados de uma nova maneira".

O Papa alertou para a violência, a polarização e a desconfiança que atravessam o mundo e insistiu que "a paz se apresenta como uma aspiração política e, ainda mais, como uma verdadeira exigência moral".

Respeito à identidade de cada povo

No plano internacional, o religioso defendeu "coragem diplomática, responsabilidade ética e uma visão de futuro baseada no respeito à identidade de cada povo". Ele também criticou o fato de que "o rearmamento volte a ser apresentado como uma resposta inevitável diante da fragilidade do cenário internacional".

Segundo o Papa, a verdadeira segurança nasce "da justiça, do diálogo paciente, do respeito ao direito internacional e de uma política capaz de colocar a vida dos povos acima dos interesses que se beneficiam da guerra".

Nesse contexto, manifestou preocupação com o desenvolvimento das novas tecnologias e da inteligência artificial no âmbito militar, afirmando que é necessário evitar "que as decisões sobre a vida e a morte sejam delegadas a automatismos ou subtraídas à responsabilidade moral da pessoa humana".

O pontífice concluiu com um forte apelo por "uma renovação moral" e considerou que "a Espanha pode oferecer muito nesse caminho".