
A volta do clã Fujimori ao poder: Keiko assume presidência do Peru em cenário de forte divisão

Nesta terça-feira (28), o Peru inicia um novo capítulo político com o retorno do clã Fujimori ao poder, sob a liderança de Keiko Sofía Fujimori Higuchi, de 51 anos.

Em um desfecho inédito, Keiko conquistou a presidência em um segundo turno extremamente disputado contra Roberto Sánchez, com menos de 50 mil votos de diferença.
Em um evento sem precedentes, a vitória de Fujimori só foi possível com a contabilização dos votos feitos por peruanos residentes no exterior.
Com todos os votos feitos em território peruano apurados, Sánchez recebeu aproximadamente 32 mil votos a mais que a nova presidente peruana.
No entanto, os peruanos que vivem no exterior garantiram a vitória da candidata, que teve 63% dos votos válidos.
"O país está dividido", afirma o analista político José Carlos Requena, em entrevista à RT.
"Há um segmento significativo da população que se opôs a ela, um segmento que é geralmente apático em relação à política", declarou o analista.
Há exemplos que refletem isso. Na região de Puno, na fronteira com a Bolívia, Sánchez venceu de forma decisiva com 86% dos votos, enquanto Fujimori obteve 13%.
Em Ayacucho, embora o desempenho do candidato de esquerda tenha ficado aquém das expectativas, ele ainda conquistou 79% dos votos, seguido pela candidata de direita com 20%.
Prioridades para os próximos 100 dias
Em entrevista ao jornal equatoriano El Universo, Keiko afirmou que trabalhará "com muito mais empenho justamente na região sul, que apresenta o maior índice de desconfiança".
Ao mesmo tempo, delineou suas prioridades para os próximos 100 dias.
"Neste momento, acredito que o mais importante na agenda para os próximos 100 dias é restabelecer a ordem, enfrentar o fenômeno El Niño e fazer o Estado voltar a funcionar", especificou.
Nas ruas, a população concorda que a insegurança é um dos maiores desafios que ela terá de enfrentar durante seu mandato de cinco anos, com o aumento dos índices de criminalidade.
Enquanto isso, nos órgãos do governo peruano, cresce a preocupação com os efeitos do El Niño.
Vulnerabilidade em setores
A Sociedade Peruana de Comércio Exterior (ComexPerú) afirmou que a presidência interina de José María Balcázar deixou o país "despreparado".
Em comunicado, denunciou que apenas 27% do orçamento destinado à resposta a emergências em desastres havia sido gasto até 30 de junho.
Em algumas de suas declarações após a proclamação como vencedora do segundo turno das eleições, Fujimori reconheceu que governará um Estado deficiente e um país desigual, com condições diferentes para quem vive em áreas urbanas e rurais.

