Rússia acusa Ocidente de usar ONU para pressionar Irã: 'Chantagem não funcionará'

Diplomacia russa argumenta que iniciativas de países ocidentais no Conselho de Segurança "nada têm a ver com a manutenção da paz".

A Rússia elevou o tom nesta terça-feira (9) contra os Estados Unidos e países europeus durante reunião do Conselho de Segurança da ONU sobre o programa nuclear iraniano.

"Colegas, sua chantagem não funcionará", declarou o representante permanente russo nas Nações Unidas, Vassily Nebenzia. O diplomata afirmou que as iniciativas ocidentais relacionadas ao Irã têm como objetivo apenas pressionar o governo de Teerã.

Segundo Nebenzia, as reuniões promovidas por Washington e aliados "nada têm a ver com a manutenção da paz e da segurança internacionais". Para ele, o objetivo real é "criar a ilusão" de que antigas sanções da ONU contra o Irã poderiam ser restabelecidas.

A principal crítica russa diz respeito às tentativas de retomar os trabalhos do chamado Comitê 1737 do Conselho de Segurança, criado para supervisionar sanções relacionadas ao programa nuclear iraniano.

"Não houve restabelecimento das sanções do Conselho de Segurança contra o Irã", declarou Nebenzia, argumentando que a Resolução 2231 expirou em outubro de 2025 e que o tema deixou a agenda do órgão.

O embaixador também acusou Reino Unido, França e Alemanha de utilizarem mecanismos jurídicos de forma indevida para pressionar a República Islâmica aabandonar o programa nuclear pacífico.

"Nosso país não permitirá que o Conselho adote quaisquer decisões que imponham restrições aos Estados-membros", enfatizou.

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ONU refém

Em outro momento do discurso, Nebenzia acusou países europeus de manterem o Conselho de Segurança "refém" ao insistirem na inclusão do comitê nas negociações sobre presidências de órgãos ligados às sanções da ONU. 

A Rússia também criticou a postura ocidental diante dos ataques realizados pelos Estados Unidos e por Israel contra alvos iranianos.

Segundo o diplomata, as potências europeias demonstraram "completa indiferença" diante de violações do direito internacional e dos ataques a instalações nucleares civis iranianas submetidas à supervisão da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

"Conclamamos todos os membros do Conselho a pararem de 'jogar lenha na fogueira' e se concentrarem em facilitar uma solução política e diplomática", disse.