
Esquilos 'zumbis' da pré-história devoravam mamutes, diz estudo

Uma análise de fezes fossilizadas com até 700 mil anos revelou um comportamento inesperado de antigos esquilos-terrestres da América do Norte. Ao despertar da hibernação, eles se alimentavam de carcaças de mamutes, bisões e até grandes felinos, lembrando "zumbis". A descoberta foi publicada na terça-feira (9) na revista científica Nature Communications.
Os pesquisadores analisaram coprólitos (fezes fossilizadas) encontrados em antigas tocas preservadas no permafrost da região de Klondike, no território canadense de Yukon.

O material continha fragmentos de DNA de plantas, insetos, aves, morcegos, vermes parasitas e de animais da megafauna da Era do Gelo.
Entre os vestígios identificados da megafauna estão sequências genéticas de mamutes-lanosos, bisões e grandes felinos, que podem ter pertencido ao extinto guepardo-americano (Miracinonyx trumani) ou a pumas.
"Você pode imaginar esses esquilos emergindo do solo e começando a comer carcaças espalhadas pelo ambiente", afirmou o paleoecólogo molecular Mikkel Pedersen, que participou do estudo.
Segundo ele, os animais eram como "zumbis do Pleistoceno", em referência ao período geológico marcado pelas grandes glaciações.
Atualmente, espécies do gênero Urocitellus passam até oito meses por ano em um estado semelhante à hibernação. Ao despertar, necessitam de grandes quantidades de proteína, o que ajuda a explicar por que seus ancestrais aproveitavam qualquer fonte de alimento disponível — inclusive carcaças de gigantes pré-históricos.
