
Netanyahu afirma que Trump o pressionou a limitar resposta ao Irã — Ynet

Trump tentou dissuadir o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, de responder ao ataque com mísseis lançado pelo Irã em retaliação à agressão israelense contra o Líbano. A informação foi divulgada nesta sexta-feira (12) pelo Ynet, que revelou novos detalhes de uma conversa telefônica entre os dois líderes relatada por Netanyahu durante uma reunião com ministros.
Segundo o veículo, Trump perguntou a Netanyahu: "Mataram o seu povo?". O premiê respondeu que não houve mortes e afirmou que não aceita reagir apenas diante de vítimas fatais. "Não estou disposto a aceitar a equação de que só respondemos se matarem, então, se atacam dentro do território israelense, eu respondo e ataco", declarou, de acordo com a publicação.

Durante o encontro, Netanyahu rebateu críticas de que Israel teria se tornado um "protegido" de Trump e afirmou que a relação com Washington é baseada em uma aliança. "Não estamos subordinados aos americanos, somos seus aliados. Assim, quando você tem um parceiro, o trata como tal; não trabalhamos contra eles, mas com eles", disse.
O premiê acrescentou que Trump deseja alcançar um acordo com o Irã, mas afirmou não acreditar que as negociações terão sucesso. "Eu disse a ele que entendo perfeitamente seu desejo, mas acredito que não haverá acordo e não seremos vítimas desse acordo", declarou.
Israel pode agir sem os EUA
Também presente na reunião, o chefe do Estado-Maior de Israel, Eyal Zamir, afirmou que o país tem capacidade para atuar contra o Irã sem o apoio dos Estados Unidos, embora prefira agir em coordenação com seu principal aliado. Segundo ele, Israel mantém objetivos tanto no Irã quanto no Líbano e continua trabalhando em todas as frentes consideradas prioritárias.
Ao abordar a cooperação militar entre os dois países, Zamir ressaltou que preservar a aliança com Washington é um objetivo estratégico e afirmou que uma nova campanha conjunta contra o Irã é uma possibilidade real. "Temos objetivos no Irã, temos objetivos no Líbano, estamos trabalhando em todos os objetivos, mas devemos lembrar que um deles é preservar a aliança com o parceiro e é muito possível que haja outra campanha conjunta com o Irã", afirmou.
Ele acrescentou que as relações estabelecidas entre Israel e as Forças Armadas dos EUA "não têm precedentes" e devem ser preservadas.
Trump: "Colocamos fim à guerra com o Irã"
Enquanto isso, Trump anunciou na quinta-feira que houve avanços significativos nas negociações entre Washington e Teerã. "Hoje colocamos fim à guerra com o Irã", declarou o presidente norte-americano, embora o acordo ainda não tenha sido assinado pelas partes.
Por sua vez, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, afirmou que partes importantes de um possível acordo para encerrar o conflito com os Estados Unidos estão próximas de ser concluídas, apesar das posições contraditórias e dos repetidos atos de agressão militar por parte de Washington.

