EUA financiaram laboratórios com risco biológico na Ucrânia e em dezenas de países

Segundo a inteligência americana, parte das instalações operou com pouca supervisão e armazenou agentes causadores de doenças. Rússia vinha alertando há anos sobre atividades ilícitas e perigosas nessas instalações.

A diretora de Inteligência Nacional dos Estados Unidos, Tulsi Gabbard, divulgou nesta sexta-feira (12) dados de inteligência "nunca vistos antes" que, segundo ela, revelam "novas evidências" de financiamento por parte do governo anterior da Casa Branca a mais de 120 biolaboratórios em mais de 30 países, incluindo a Ucrânia.

"As informações sobre a existência, o histórico, a localização e o financiamento desses laboratórios biológicos financiados pelos EUA foram deliberadamente ocultadas por pessoas poderosas, que afirmam falsamente que eles não existem e acusam de agentes estrangeiros e traidores dos EUA todos aqueles que dizem o contrário", afirma o comunicado.

O escritório chefiado por Gabbard destacou que muitos desses biolaboratórios "atualmente realizam, ou realizaram no passado, pesquisas envolvendo patógenos perigosos e altamente contagiosos", em alguns casos conduzidas "com pouquíssima visibilidade ou supervisão".

Armas biológicas à disposição da Ucrânia

As últimas revelações se concentraram no caso da Ucrânia, onde o governo dos EUA financiava mais de 40 biolaboratórios. A investigação concluiu que essas instalações abrigam "patógenos de guerra biológica da era soviética" e que os Estados Unidos eram responsáveis pelo treinamento de cientistas ucranianos para trabalhar com medidas de biocontenção.

Os repositórios dessas instalações incluem "armas biológicas e patógenos causadores de doenças", como antraz, ebola, peste, peste suína, tularemia, tuberculose, doença de Newcastle, MERS, SARS, vírus de Marburg, vírus de Lassa e riquétsias (bactérias intracelulares), entre outros.

Somente o Instituto de Medicina Veterinária Experimental e Clínica da cidade de Kharkov abrigava, no início da década de 2010, "centenas de patógenos", sendo "um dos mais de 40 laboratórios operados e de propriedade da Ucrânia que receberam assistência no âmbito do Programa de Redução de Ameaças Biológicas do Departamento de Defesa dos EUA", indica o documento divulgado.

Em 2019, as instalações do instituto apresentavam "deficiências de bioproteção e biossegurança", "especialmente nas salas que manipulam a contagiosa bactéria Brucella".

"Os EUA pagaram a um cientista ucraniano para estudar o genoma da gripe aviária altamente patogênica e de outros vírus altamente infecciosos em laboratórios de biocontenção, cujo financiamento também foi fornecido pelo governo dos Estados Unidos", adverte o texto.

"Potencial de impacto catastrófico em escala global"

Gabbard denunciou que, "apesar do evidente potencial de impacto catastrófico em escala global que a pesquisa com patógenos perigosos em laboratórios biológicos pode ter, políticos, os chamados 'profissionais da saúde', como o Dr. Fauci, e integrantes da equipe de Segurança Nacional do governo Biden mentiram ao povo americano sobre a existência de laboratórios biológicos financiados e apoiados pelos EUA e ameaçaram aqueles que tentaram expor a verdade".

A autoridade prometeu que seu escritório "continuará trabalhando em estreita colaboração com parceiros de todo o governo para identificar onde esses laboratórios estão localizados e quais patógenos contêm, a fim de pôr fim a essas pesquisas perigosas". Segundo ela, essas atividades ameaçam "a saúde e o bem-estar do povo americano e de pessoas em todo o mundo".

Advertências da Rússia

A investigação americana foi divulgada após anos de advertências da Rússia sobre atividades ilícitas em laboratórios ucranianos financiados por países da OTAN. Desde 2022, Moscou vem apresentando evidências dessas atividades em diferentes fóruns internacionais, incluindo a ONU, mas nem os EUA, nem a Ucrânia, nem outras partes envolvidas responderam aos apelos russos por uma investigação sobre o funcionamento desses biolaboratórios.

A Rússia tentou chamar a atenção da comunidade internacional para o problema, alertando para a existência, na Ucrânia, dos seguintes projetos:

As Forças Armadas da Rússia também obtiveram documentos que, segundo Moscou, confirmam diversos casos de envio ao exterior de amostras biológicas de cidadãos ucranianos.

"Com grande probabilidade, pode-se afirmar que uma das tarefas dos EUA e de seus aliados é a criação de bioagentes capazes de afetar seletivamente diferentes grupos étnicos", declarou o tenente-general Igor Kirillov, ex-chefe das Tropas de Defesa Radiológica, Química e Biológica das Forças Armadas da Rússia.

Além disso, o representante permanente da Rússia na ONU, Vassily Nebenzia, destacou ainda em 2022 que os projetos de pesquisa biológica desenvolvidos durante anos em diversos laboratórios ucranianos em conjunto com os Estados Unidos violam a Convenção sobre Armas Biológicas e que os documentos obtidos durante a operação militar russa na Ucrânia representam apenas a ponta do iceberg.