O material nuclear iraniano ficará sob supervisão dos EUA ou internacional, e o cumprimento será medido com base nos resultados, afirmou o Secretário de Guerra Pete Hegseth em entrevista à CBS News no domingo (14).
"Haverá inspeções e supervisão, sejam elas dos EUA ou internacionais, mas os Estados Unidos ditarão o ritmo por meio de seus negociadores, com as forças armadas e seu poder como garantidores", afirmou. Hegseth acrescentou que o presidente Donald Trump "já reverteu o programa nuclear do Irã de forma devastadora" por meio de operações como a Operação Martelo da Meia-Noite e outras campanhas.
Segundo Hegseth, o Irã concordou em negociar em parte porque as forças americanas demonstraram prontidão para "retomar" os ataques.
O chefe do Pentágono indicou que prefere não recorrer à força novamente, mas que o Irã está ciente "dos efeitos devastadores que ocorreram em suas forças armadas, suas defesas aéreas e suas capacidades".
Quanto às organizações multilaterais, Hegseth afirmou qua não achava que "a ONU tenha sido realmente eficaz em algo disso".
No entanto, ele admitiu que inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) "poderiam fazer parte" do plano.
Hegseth insistiu que o objetivo é trabalhar com o Irã para eliminar o material ou para que o próprio Irã o dilua, mas alertou que "eles não vão obter nenhum desse material" e que qualquer obtenção dependerá de monitoramento e desempenho.
Principal obstáculo
Washington exige que Teerão elimine todo o seu urânio enriquecido porque considera que o nível atual - mais de 60% - é perigosamente perto dos 90% necessários para fazer uma arma nuclear.
Ou seja, a finalidade é remover o material do Irã, enviando aos EUA ou o eliminando sob supervisão de organismos internacionais.
Essa exigência também é uma condição prévia para qualquer alívio das sanções econômicas.
O Irã, por sua vez, insiste que seu programa nuclear tem fins civis e defende seu direito de enriquecer urânio para fins pacíficos.
Acordo
- No domingo (14), o presidente americano Donald Trump anunciou, na rede social Truth Social, que "o acordo com a República Islâmica do Irã já está fechado", que a passagem de Ormuz será aberta sem pedágio e que os Estados Unidos encerrarão imediatamente o bloqueio naval contra o Irã.
- Primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, que mediou o acordo, afirmou que ele também inclui o Líbano e que a cerimônia de assinatura está agendada para o dia 19 de junho, na Suíça.
- O vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, também confirmou a assinatura do memorando de entendimento. o vice-ministro explicou que, conforme acordado, "a partir desta noite, será anunciado o fim imediato e definitivo da guerra e das operações militares em várias frentes, incluindo o Líbano".
- Foi registrada uma queda de quase 5% no preço do petróleo bruto americano WTI.