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Vance afirma que, apesar das incertezas no acordo com o Irã, os EUA 'têm todas as cartas na manga'

O vice-presidente dos EUA afirmou ainda que muitos dos detalhes serão resolvidos durante as negociações de 60 dias que serão realizadas na Suíça.
Vance afirma que, apesar das incertezas no acordo com o Irã, os EUA 'têm todas as cartas na manga'Gettyimages.ru

O vice-presidente dos EUA, J.D. Vance, afirmou nesta segunda-feira (15) que muitos aspectos do acordo preliminar entre os EUA e o Irã ainda precisam ser finalizados, embora tenha expressado confiança de que Washington está em vantagem nas próximas negociações.

"Há muitos detalhes importantes a serem esclarecidos, e certamente nos reuniremos para discuti-los e encontrar uma solução para esses detalhes", declarou ele em entrevista à CNBC.

Ele especificou que Teerã se comprometeu "a destruir e descartar seus estoques de material altamente enriquecido".

"Trata-se do urânio altamente enriquecido que eles acumularam durante os governos Obama e Biden. E o que dissemos foi: 'Certo, vamos conversar sobre como exatamente faremos isso'. Eles querem acesso a uma economia livre de sanções. Dissemos que estamos abertos a isso, mas que exigiria um compromisso de longo prazo com o regime de inspeção e verificação", acrescentou.

Sobre o acordo, o vice-presidente explicou que "o que este acordo faz, em essência, são duas coisas. Reabre imediatamente o Estreito de Ormuz. Já ​​estamos vendo um aumento no tráfego nas últimas 24 horas. Estamos vendo os preços do petróleo caírem. Mas também se obtém um compromisso de longo prazo de que o Irã nunca desenvolverá ou adquirirá uma arma nuclear. Essas são duas vitórias muito importantes para o povo americano", disse.

Com as cartas na manga 

Vance também observou que a expectativa de Washington é que o Estreito de Ormuz permaneça "aberto sem pedágio a longo prazo".

Ele afirmou ainda que muitos dos detalhes serão resolvidos durante as negociações de 60 dias que serão realizadas na Suíça.

"Estamos bastante confiantes de que estamos em uma posição forte. Fundamentalmente, temos a capacidade de exercer pressão. Temos capacidades diplomáticas, econômicas e militares", argumentou. Os EUA detêm "todas as cartas", acrescentou.

"Mas também estamos estendendo a mão aos iranianos e dizendo: 'Se vocês negociarem de boa fé e assumirem esse compromisso de longo prazo de não desenvolver armas nucleares, então garantiremos que seu país tenha sucesso. Se, por outro lado, vocês se recusarem a ceder, então continuaremos a aplicar a pressão que temos visto aumentar, especialmente na frente econômica’”, alertou o vice-presidente dos EUA.

Essa pressão será "ruim" para Teerã, disse Vance. "E, em última análise, será ruim para a região. Portanto, esperamos que eles façam a escolha certa. Estamos bastante confiantes sobre nossa posição. Simplesmente vamos nos sentar, conversar com eles e ver onde estão dispostos a ceder, onde estão dispostos a fazer concessões, e avançar a partir daí", resumiu.

Rumo à assinatura de um acordo

  • No domingo (14), Washington e Teerã declararam que o texto do memorando de entendimento entre os dois países está finalizado e que a assinatura oficial ocorrerá na sexta-feira, 19 de junho, na Suíça. O anúncio põe fim a semanas de negociações tensas entre os dois países, que por vezes pareceram apresentar poucos avanços.
  • "O acordo com a República Islâmica do Irã está agora fechado. Parabéns a todos!", escreveu Donald Trump nas redes sociais, autorizando também "a abertura total e irrestrita do Estreito de Ormuz" e o "levantamento imediato do bloqueio naval dos EUA".
  • Um mediador nas negociações, o primeiro-ministro paquistanês Shehbaz Sharif, também confirmou que o acordo inclui o Líbano.
  • Teerã já havia indicado que a questão nuclear foi adiada até a elaboração do plano de acordo final, uma vez que as exigências dos EUA sobre o assunto não são aceitáveis ​​para o Irã neste momento.