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Chefão da CIA joga balde de água fria no otimismo de Trump sobre acordo com Irã

Segundo uma fonte familiarizada com o texto citado pelo Axios, o memorando busca estender o cessar-fogo com 60 dias de diálogo.
Chefão da CIA joga balde de água fria no otimismo de Trump sobre acordo com IrãRT

O diretor da CIA, John Ratcliffe, disse ao presidente dos EUA, Donald Trump, e a funcionários americanos que informações de inteligência "colocam em séria dúvida" a disposição do Irã em assumir os compromissos nucleares que Washington busca em um acordo final, informou nesta terça-feira (16) o Axios , citando três fontes familiarizadas com as discussões.

As negociações ocorreram em reuniões de alto nível antes do memorando de entendimento anunciado no domingo.

O que foi discutido em Washington?

De acordo com duas fontes familiarizadas com os contatos, a inteligência dos EUA detectou discrepâncias entre o que as autoridades iranianas estavam dizendo em particular sobre o acordo e o que estavam transmitindo aos mediadores e aos EUA.

Com base nesses dados, Ratcliffe e o Secretário de Estado, Marco Rubio, teriam concluído que o Irã, provavelmente, não aceitará as medidas nucleares exigidas por Washington. O Secretário de Guerra Pete Hegseth também expressou dúvidas sobre o memorando.

O vice-presidente J.D. Vance e os enviados Steve Witkoff e Jared Kushner, acusados por Washington de contatos com o Irã, defenderam o entendimento.

Um funcionário da Casa Branca afirmou à agência que Trump ouve todas as opiniões, embora a decisão final seja dele.

Próximos passos

Uma reunião de Vance, Witkoff e Kushner com o presidente do parlamento iraniano, Mohammad-Bagher Ghalibaf, e o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, está marcada para sexta-feira (19) na Suíça, com a participação de mediadores do Paquistão e do Catar, focados na próxima etapa das negociações.

Um alto funcionário dos EUA comentou que em duas ou três semanas os EUA saberão se o Irã leva a sério as concessões nucleares.

O que o diz rascunho de 14 pontos

Segundo uma fonte familiarizada com o texto citado pelo Axios, o memorando busca estender o cessar-fogo com 60 dias de diálogo. No campo nuclear, o Irã reitera que não terá armas atômicas, manterá o status quo de seu programa nuclear durante as negociações e negociará o destino de seu material enriquecido estocado.

Por sua vez, os EUA não vão impor novas sanções ou implantar mais forças na região. Se um acordo definitivo for alcançado, o país retirará suas tropas mobilizadas em 30 dias e suspenderá todas as sanções dentro de um cronograma acordado.

Sobre os fundos iranianos congelados, Washington os tornará "totalmente disponíveis" quando o memorando for implementado, embora qualquer liberação dependa de gestos concretos de Teerã. O acordo final também criaria um fundo de US $300 bilhões para reconstruir o país.

Por fim, o texto, segundo fontes do Axios, prevê a reabertura do Estreito de Ormuz no curto prazo: o Irã garantirá 60 dias de passagem comercial segura sem taxas e dialogará com Omã e outros países do Golfo sobre sua futura administração, enquanto os EUA retirarão seu bloqueio em 30 dias.

Negociações

Comentando nesta segunda-feira o encontro na Suíça entre os chefes das delegações do Irã e dos Estados Unidos, marcado para 19 de junho, o chanceler iraniano, Abbas Araghchi, observou que a assinatura do memorando pode abrir as portas para novas negociações.

Araghchi explicou que esse entendimento pode trazer oportunidades econômicas para o Irã, embora tenha ressaltado que a economia do país "não deve se tornar dependente ou subordinada a esse tipo de acordos econômicos por meio de negociações com os Estados Unidos", já que Teerã tem "experiência de quebras, não execução e ruptura de acordos" por Washington.

Por sua vez, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmail Baghaei, afirmou que o respeito à soberania nacional do Líbano é um dos pilares das negociações, e insistiu que a segurança e a independência do território libanês são parte inseparável do acordo.

O vice-ministro de Assuntos Jurídicos e Internacionais do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Kazem Gharibabadi, enfatizou que a próxima fase das negociações entre o Irã e os EUA começará quando Washington liberar bilhões de dólares em fundos congelados. O vice-ministro explicou que, após a assinatura oficial do memorando de entendimento entre Teerã e Washington na Suíça, os chefes de ambas as delegações manterão conversações com determine os detalhes das negociações subsequentes.

Até lá, serão verificados os "compromissos" dos EUA em relação ao fim do conflito, ao levantamento do bloqueio naval e à liberação de ativos Iranianos. Nesse sentido, destacou que o início das negociações, que terão duração de 60 dias, está condicionado ao cumprimento desses compromissos por parte dos Estados Unidos.