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'Preocupante': vice-presidente dos EUA contesta críticas do Papa Leão XIV sobre tratamento a imigrantes

J.D. Vance rebate o pedido de Leão XIV por "reflexão profunda" e argumenta que migração em massa também produz vítimas, enquanto bispos nomeados pelo pontífice reforçam críticas.
'Preocupante': vice-presidente dos EUA contesta críticas do Papa Leão XIV sobre tratamento a imigrantesGettyimages.ru / Scott Olson / Christopher Furlong / Equipe

O vice-presidente dos Estados Unidos, J.D. Vance, manifestou publicamente nesta quarta-feira (1º) sua discordância em relação aos posicionamentos do Papa Leão XIV sobre questões migratórias.

Durante entrevista à emissora Fox News, Vance avaliou que as declarações emitidas pelo Vaticano são "preocupantes" e reiterou sua oposição às críticas direcionadas à política do governo de Donald Trump.

O vice americano, que professa a fé católica, buscou dialogar com lideranças eclesiásticas, porém alertou para a necessidade de reconhecer que processos migratórios em larga escala também geram consequências negativas.

O pontífice, primeiro papa de nacionalidade norte-americana, havia previamente convocado o governo dos EUA a uma "reflexão profunda" sobre o tratamento dispensado aos migrantes. Leão XIV caracterizou o governo Trump como "extremamente desrespeitoso" e denunciou o que definiu como condutas "desumanas" direcionadas a essa população vulnerável.

«PAPA LEÃO XIV: O ADVERSÁRIO QUE TRUMP NÃO PODE VENCER»

As críticas papais não se restringiram à política migratória, estendendo-se a outras iniciativas do governo, incluindo o conflito com o Irã e questões relacionadas à Faixa de Gaza.

Atrito eclesiástico

A postura crítica do Vaticano encontra respaldo entre membros do episcopado recentemente designados pelo papa. Segundo informações divulgadas pela agência britânica Reuters, pelo menos dez dos treze bispos nomeados por Leão XIV se manifestaram publicamente em defesa de abordagens mais humanitárias no acolhimento de imigrantes.

Entre as indicações se destaca Ronald Hicks, novo arcebispo de Nova York, escolhido para suceder o cardeal Timothy Dolan, figura reconhecida por orientações mais conservadoras.

Conforme declaração do cardeal de Chicago, Blase Cupich, membro do órgão vaticano consultivo para nomeações episcopais, essa mudança representa um "amadurecimento" da perspectiva pró-vida da Igreja, que agora incorpora a questão migratória como elemento central de sua doutrina social.