O presidente Luiz Inácio Lula da Silva acusou, nesta quinta-feira (2), o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), seu principal adversário nas eleições presidenciais, de agir como um traidor da pátria.
No dia anterior, Flávio enviou um documento ao escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), tentando negociar as ameaças de tarifaço contra o Brasil.
"É inaceitável que a família Bolsonaro, com o seu entreguismo, queira submeter o Brasil aos interesses dos Estados Unidos, como fica claro no documento enviado por um de seus integrantes ao governo norte-americano", escreveu o presidente nas redes sociais.
Pix em negociação?
No documento, Flávio destaca as qualidades do Pix e diz que a plataforma é um dos principais avanços alcançados durante o governo de seu pai.
Em seguida, procura amenizar as preocupações dos Estados Unidos com o sistema, ao sugerir um "compromisso" de que o Pix não será integrado a plataformas de liquidação transfronteiriça de "países não ocidentais".
Ele também sugere a redução da carga tributária de empresas de cartão de crédito e débito, o que proporcionaria alívio imediato a empresas norte-americanas como Visa e Mastercard, que supostamente teriam perdido participação no mercado com a expansão do Pix.
O presidente criticou duramente a sugestão, acusando Flávio de buscar "entregar o Pix a interesses estrangeiros". "Não vão conseguir. O Pix é uma conquista do Brasil e não vamos abrir mão dele", escreveu o presidente.
Fim do Mercosul
Em outro trecho de sua carta, Flávio também contesta alegações do governo Trump de que o Brasil concede benefícios comerciais a outros parceiros que não são estendidos aos Estados Unidos.
Como exemplo, afirma que Washington concede ao México "exatamente o tipo de acesso preferencial pelo qual critica o Brasil".
Contudo, para atender às demandas dos EUA, o pré-candidato sugere "libertar o Brasil das obrigações do Mercosul que impediram governos anteriores de negociar acordos" que, segundo ele, seriam benéficos para os dois países.
Lula, então, criticou também esta proposta. Segundo o presidente, Flávio estaria defendendo, na prática, "o fim do Mercosul, o bloco econômico mais importante da América Latina".
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Adiar o tarifaço
Quanto à proposta de Flávio, de adiar por 180 dias o tarifaço de Washington — o que faria com que a medida fosse analisada apenas após as eleições — Lula foi enérgico ao condená-la:
"Pedir que o tarifaço contra o nosso país seja adiado para depois das eleições é mais uma atitude de traidores da pátria. Nunca houve e não há qualquer justificativa para tarifaço agora ou depois".