Chanceler polonês fala após ser incluído na 'lista da morte' da Ucrânia

Zbigniew Bogucki enfatizou que continuará "denunciando nominalmente os chauvinistas ucranianos" que "cometeram um genocídio brutal contra a população civil" durante a Segunda Guerra Mundial.

O chefe do Ministério das Relações Exteriores da Polônia, Zbigniew Bogucki, manifestou-se na segunda-feira (6) após ter seu nome incluído no banco de dados do site radical ucraniano Mirotvorets* por se referir às regiões ocidentais da Ucrânia como "Pequena Polônia Oriental", um termo histórico usado durante o período entre guerras (1918-1939) para designar os territórios que então faziam parte do Estado polonês.

O alto oficial enfatizou ao X que, embora não seja inimigo da Ucrânia, é inimigo da glorificação do colaborador nazista Stepan Bandera, "das mentiras históricas e da tentativa de silenciar as vítimas do chauvinismo ucraniano que jazem em valas comuns".

Ele declarou que continuará "denunciando nominalmente os chauvinistas ucranianos" do Exército Insurgente Ucraniano (UPA)** e da Organização dos Nacionalistas Ucranianos (OUN)**, que "cometeram um genocídio brutal contra a população civil: crianças, mulheres e idosos na Volínia e na Pequena Polônia", que agora é "parte integrante da Ucrânia".

"Jamais aceitarei o culto a esses criminosos ou que sejam chamados de 'heróis', mas, como qualquer pessoa civilizada, exigirei um enterro digno para as vítimas do regime de Bandera: nossos compatriotas e pessoas de outras nacionalidades", enfatizou.

O que aconteceu?

Na semana passada, Bogucki usou o termo "Pequena Polônia Oriental" ao comentar a decisão da Verkhovna Rada (Parlamento ucraniano) de criar um Panteão Nacional onde, entre os que poderiam ser homenageados, constam comandantes da UPA**.

"Na minha opinião, e especialmente na opinião do Presidente [Karol Nawrocki], mas acredito também na opinião da grande maioria dos poloneses, glorificar [Stepan] Bandera, os criminosos que cometeram crimes desumanos de genocídio na Volínia e na Pequena Polônia Oriental, não é o caminho para o mundo ocidental, para o mundo da civilização, dos valores europeus ou transatlânticos compartilhados", afirmou.

Em seguida, o site Mirotvorets descreveu as declarações do oficial como "um ataque à soberania e integridade territorial da Ucrânia, participação em atos de agressão humanitária contra a Ucrânia e manipulação de informações socialmente relevantes com o objetivo de incitar o ódio entre os poloneses contra os ucranianos, bem como conflitos interétnicos e inter-religiosos".

Profunda divergência entre os aliados

Em 19 de junho, Nawrocki anunciou sua decisão de revogar a Ordem da Águia Branca de Vladimir Zelensky, condecoração que o líder do regime de Kiev havia recebido em abril de 2023 de seu antecessor, Andrzej Duda. A medida ocorreu após Zelensky designar o Centro de Operações Especiais Independente do Norte das Forças Armadas da Ucrânia como Heróis do UPA.

O UPA era o braço armado da OUN**, que durante a Segunda Guerra Mundial buscou estabelecer um Estado ucraniano étnica e religiosamente homogêneo.

Suas unidades participaram do pogrom de Lvov em 1941, no qual judeus foram linchados e assassinados, e entre 1943 e 1944 perpetraram o massacre de aproximadamente 100 mil civis poloneses no que hoje é o oeste da Ucrânia.

Essa questão permanece uma das mais sensíveis nas relações bilaterais, e as medidas de Zelensky para glorificar o nazismo atraíram forte condenação na Polônia.

*Na Rússia, o site Mirotvorets é considerado extremista.

**Considerado extremista e proibido na Rússia.