
Cuba sobre os EUA perante a ONU: 'O bloqueio sufoca e mata silenciosamente'

Cuba participou nesta terça-feira (7) de um debate urgente na Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, para denunciar a continuidade e a intensificação do bloqueio imposto pelos Estados Unidos ao país.
A apresentação foi conduzida pelo ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, sob o tema "Necessidade de pôr fim ao bloqueio econômico, comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos a Cuba". A realização do debate foi submetida a votação e recebeu 136 votos favoráveis.
En nombre del pueblo de #Cuba, agradezco a las 136 naciones del mundo que votaron en favor de llevar a debate de la Asamblea General de la ONU el #BloqueoGenocida contra toda una nación, y las amenazas de agresión militar.
— Miguel Díaz-Canel Bermúdez (@DiazCanelB) July 7, 2026
1/2 pic.twitter.com/pjCD3qmsiN
"O bloqueio sufoca e mata silenciosamente; combater esse crime cruel também é responsabilidade das Nações Unidas", afirmou o ministro cubano.
Em sua conta no X, o presidente cubano Miguel Díaz-Canel agradeceu aos países que votaram a favor da realização do debate. "Cada voto demonstra um senso de justiça e coragem, superando a forte pressão dos dias que o antecederam e as mentiras descaradas do delegado dos EUA, cujo objetivo era sabotá-lo."

"Uma guerra não convencional"
Rodríguez declarou que seu país está sendo submetido a "uma guerra multidimensional e não convencional" que já dura quase sete décadas e que "se tornou mais brutal e cruel nos últimos sete meses".
Ele explicou que as medidas punitivas impostas pelos EUA contra a nação caribenha "impedem o acesso ao abastecimento de combustível" por meio de "ameaças, ações coercitivas unilaterais e até mesmo o assédio ou intimidação de petroleiros pelas forças navais americanas".
Segundo o chanceler, o uso de "ações sem precedentes" pelo governo dos EUA, como sanções secundárias, faz parte de um "plano macabro para provocar uma crise humanitária e a desestabilização total do país".
Ele afirmou que isso visa abrir caminho para "uma intervenção militar imperialista, que causaria um banho de sangue e inúmeras perdas de vidas cubanas e americanas".
"É uma mentira em que ninguém acredita"
O Ministro das Relações Exteriores também descartou como um "argumento batido" a posição de Washington que nega a existência de um "bloqueio de combustível" contra Cuba, afirmando que o bloqueio é uma "justificativa do governo cubano para seus problemas" e que as medidas coercitivas constituem um "embargo unilateral".
"É uma falácia que não resiste ao menor escrutínio. É uma mentira em que ninguém acredita", declarou.
Rodríguez informou que os danos causados pelo bloqueio, de março de 2025 a 28 de fevereiro de 2026, totalizam um "valor recorde" de US$ 8 bilhões, 7% a mais que em 2024. O impacto acumulado desde o início chega a US$ 178,7 bilhões, sem incluir as consequências do bloqueio energético.
"A hostilidade que Cuba enfrenta hoje faz parte de uma série de violações do direito internacional e é um prelúdio para o que poderá acontecer a qualquer outro país amanhã. Devemos questionar se é esta a nova ordem mundial para a qual estamos caminhando", afirmou.
Ele também pediu que se impeça "que esta conduta de dominação, pilhagem, ocupação, desapropriação e guerra psicológica se integre a uma ordem internacional ainda pior do que a das últimas décadas".
Ações agressivas contra Cuba
Mais cedo, Rodríguez declarou em sua conta no X que seu país compareceria perante a ONU "para denunciar as ações agressivas dos EUA contra Cuba".
"Defenderemos nosso direito soberano de viver sem bloqueio energético, sem estrangulamento externo, sem coerção, sem ameaças de banho de sangue, sem punição coletiva", publicou o Ministro das Relações Exteriores.
O ministro acusa Washington de tentar "impedir que a Assembleia Geral da ONU se manifeste" por meio de pressão e coerção contra outros Estados-membros da organização multilateral.
"A voz do povos não pode ser silenciada. Junte-se a este debate. Vamos defender a Carta da ONU, a paz e a igualdade soberana entre as nações", declarou.


