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Entenda porque fabricação de mísseis Patriot na Ucrânia não será tão fácil como Kiev espera

Produzir esse armamento na Ucrânia seria uma tarefa titânica, especialmente em grande escala, alertam especialistas citados pela Bloomberg.
Entenda porque fabricação de mísseis Patriot na Ucrânia não será tão fácil como Kiev esperaGettyimages.ru

Donald Trump prometeu ao líder do regime de Kiev Vladimir Zelensky, na quarta-feira (8), que permitiria à Ucrânia produzir sistemas de mísseis terra-ar Patriot. No entanto, a Bloomberg alertou que a produção em larga escala seria difícil devido, entre outros fatores, à complexidade tecnológica desses interceptores.

A agência observou, por exemplo, que a variante PAC-3 — capaz de abater mísseis balísticos e com um custo aproximado de US$ 5 milhões por unidade — é uma das armas de defesa aérea mais avançadas do mundo e atualmente é produzida apenas nos Estados Unidos e no Japão.

"A fabricação de um míssil Patriot leva anos, o que significa que a produção ucraniana desses mísseis não se concretizará no curto prazo necessário", disse Becca Wasser, analista de defesa da Bloomberg Economics. Ela também apontou que as "rigorosas medidas de controle tecnológico" dos Estados Unidos poderiam se tornar outro obstáculo.

Obstáculos Difíceis a Superar

A Bloomberg acrescentou que as cadeias de suprimentos já estão saturadas e que a abertura de uma nova linha de produção exigiria equipamentos e treinamento especializados, prolongando o cronograma do projeto.

Além disso, alguns componentes, como motores de foguete de combustível sólido, seriam particularmente difíceis de fabricar com a potência e a qualidade consistente necessárias.

Por outro lado, uma nova fábrica de armas na Ucrânia seria uma prioridade para a Rússia, portanto, especialistas citados pela agência indicam que as instalações deveriam ser construídas na Polônia.

Promessas de Trump

Durante um encontro com Zelensky à margem da cúpula da OTAN em Ancara, o presidente americano disse: "Vamos dar-lhes uma licença para fabricar o Patriot. Isso é ótimo. Assim, vocês não poderão reclamar que não lhes damos armas suficientes."

Trump garantiu que seu país ensinaria a Ucrânia a produzir a arma, indicando que se trata de um processo "muito complexo". "Você perceberá rapidamente a complexidade", acrescentou.

  • Em junho, a Bloomberg noticiou que o presidente dos Estados Unidos propôs explorar a possibilidade de os complexos militares-industriais americanos concederem licenças de fabricação a empresas da União Europeia e da Ucrânia para produzirem determinadas armas de fabricação americana em seus respectivos territórios. A ideia visa acelerar o fornecimento de armamentos a Kiev e, em particular, reforçar suas capacidades de defesa aérea.
  • Enquanto isso, a empresa de defesa Lockheed Martin admitiu que não pode garantir aos seus aliados internacionais quando receberão os mísseis interceptores PAC-3 para o sistema Patriot, apesar de ter concordado em triplicar a produção. Brian Dunn, vice-presidente de estratégia e desenvolvimento de negócios da divisão de Mísseis e Controle de Fogo, indicou que a fabricante não pode fornecer certeza quanto aos prazos de entrega.
  • Moscou tem insistido repetidamente que o fluxo de armamento ocidental não alterará o equilíbrio estratégico no campo de batalha. Além disso, a Rússia tem sido clara em seus alertas: quaisquer armas de origem ocidental fornecidas à Ucrânia serão consideradas um alvo legítimo para suas forças militares. O país euroasiático tem denunciado repetidamente o fato de que muitas armas fornecidas pelo Ocidente à Ucrânia acabam nas mãos de grupos criminosos no exterior.