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O que está por trás do interesse internacional pelas terras raras brasileiras?

Com a segunda maior reserva estimada de terras raras do mundo, o Brasil desperta o interesse de potências como EUA, China e União Europeia, mas ainda enfrenta desafios para transformar esse potencial em vantagem estratégica.
O que está por trás do interesse internacional pelas terras raras brasileiras?Imagem criada por inteligência artificial / GettyImages.Ru / Andrew Harnik / Equipe

A disputa global por minerais estratégicos colocou o Brasil no centro das atenções internacionais. Dono da segunda maior reserva estimada de terras raras do planeta, atrás apenas da China, o país passou a ser alvo do interesse de grandes potências que buscam garantir acesso a matérias-primas consideradas essenciais para a economia e a segurança nacional.

Nos últimos meses, a União Europeia se juntou aos Estados Unidos, China, Japão, Coreia do Sul, Índia, Canadá e Austrália na busca por parcerias com Brasília voltadas ao setor mineral.

O movimento reflete uma mudança no cenário geopolítico, em que o acesso a minerais críticos deixou de ser apenas uma questão econômica e passou a ser visto como um tema de segurança estratégica.

Por que as terras raras são tão importantes?

As chamadas terras raras são um grupo de 17 elementos químicos utilizados na fabricação de baterias, veículos elétricos, turbinas eólicas, smartphones, chips, equipamentos médicos e sistemas militares, como radares e mísseis guiados.

O Brasil também possui reservas relevantes de outros minerais considerados estratégicos, como nióbio, grafite e manganês.

A crescente demanda por essas matérias-primas está ligada tanto à transição energética quanto à corrida tecnológica e militar entre as principais potências mundiais.

Hoje, a China domina boa parte da cadeia de produção e processamento desses minerais, o que levou diversos países a buscar fornecedores alternativos.

O Brasil está preparado para aproveitar essa oportunidade?

Apesar do potencial, especialistas afirmam que o país ainda não está totalmente preparado para aproveitar esse momento.

Em reportagem publicada na terça-feira (7), a revista Foreign Policy ouviu a economista brasileira Monica de Bolle, pesquisadora sênior do Peterson Institute for International Economics, que afirmou que o Brasil vive um momento decisivo.

Segundo ela, diversos países querem ampliar sua presença no setor mineral brasileiro, mas o país ainda precisa estruturar melhor sua estratégia para atender essa demanda.

Um dos principais obstáculos é o conhecimento limitado sobre as próprias reservas minerais. De acordo com De Bolle, apenas cerca de 30% do território brasileiro conta com mapeamento geológico detalhado, o que significa que grande parte do potencial mineral do país ainda permanece desconhecida.

Além disso, a exploração de terras raras exige uma cadeia industrial sofisticada, com etapas de separação, refino e processamento que poucos países dominam atualmente.

O desafio vai além da mineração

O governo brasileiro defende que o país não permaneça apenas como exportador de minério bruto. Em diferentes ocasiões, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que pretende atrair parcerias internacionais que envolvam transferência de tecnologia e investimentos em etapas de maior valor agregado da produção mineral.

Especialistas também apontam a necessidade de um marco regulatório mais claro para o setor. Atualmente, diferentes projetos de lei sobre minerais críticos tramitam no Congresso Nacional, enquanto o governo trabalha na elaboração de uma política nacional voltada à exploração dessas matérias-primas estratégicas.

Com reservas capazes de atrair o interesse das principais economias do mundo, o Brasil passou a ocupar uma posição estratégica na disputa global por minerais críticos.

O desafio, agora, será transformar essa riqueza potencial em desenvolvimento industrial, tecnológico e econômico, sem repetir o modelo histórico de exportação de matérias-primas com baixo valor agregado.