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FMI elogia reformas liberais do Banco Central da Argentina

Projeto pretende alterar as diretrizes da instituição para reforçar a independência em relação ao Poder Executivo, restringindo sua atuação ao controle da inflação.
FMI elogia reformas liberais do Banco Central da ArgentinaGettyimages.ru / Lior Mizrahi

O Fundo Monetário Internacional (FMI) manifestou nesta quinta-feira (9) apoio ao projeto de reforma do Banco Central da Argentina (BCRA), uma das principais medidas da atual agenda econômica do presidente liberal Javier Milei.

Segundo a porta-voz do organismo, Julie Kozack, a iniciativa representa um avanço para fortalecer a autonomia da autoridade monetária e consolidar a estabilidade financeira do país, que é o maior devedor do Fundo.

Durante entrevista coletiva em Washington, Kozack afirmou que o FMI "apoia a intenção das autoridades de reformar a carta orgânica do banco central". Segundo ela, "uma reforma deste tipo fortaleceria as salvaguardas institucionais do banco central, que protegem a independência de sua política".

A porta-voz também avaliou que o conjunto de reformas financeiras proposto pelo governo argentino "apoia os esforços da Argentina para recuperar de forma duradoura o acesso aos mercados, mantendo a flexibilidade quanto ao momento e às modalidades".

Limitações às políticas econômicas

O projeto pretende alterar a Carta Orgânica do BCRA para reforçar sua independência em relação ao Poder Executivo, restringindo sua atuação ao controle da inflação e reduzindo a possibilidade de intervenções do governo sobre a política monetária. Na prática, o projeto limita a capacidade de presidentes eleitos de comandarem agendas políticas diversas do mercado.

O apoio do FMI reforça uma posição que a instituição já havia manifestado em seu relatório mais recente sobre a economia argentina.

No documento divulgado em maio de 2026, o Fundo afirma que a reforma será "essencial para fortalecer sua independência, governança e prestação de contas".

Por fim, na coletiva, Kozack anunciou que a diretora-gerente do FMI, Kristalina Georgieva, visitará a Argentina nos dias 28 e 29 de julho. Segundo a porta-voz, "a visita reflete nossa relação estreita e construtiva com a Argentina", em mais um gesto de apoio ao governo Milei, considerado um dos principais aliados dos Estados Unidos na América Latina.