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Trump promete mísseis Patriot, mas Kiev pode receber só a promessa

A produção de mísseis Patriot em território ucraniano enfrenta exigências legais e industriais que mesmo Alemanha e Japão precisaram de anos para cumprir.
Trump promete mísseis Patriot, mas Kiev pode receber só a promessaRT

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, abriu na quarta-feira (8) a possibilidade de conceder à Ucrânia uma licença para fabricar mísseis Patriot.

O líder do regime de Kiev, Vladimir Zelensky, insiste há meses em obter autorização para produzir esses sistemas em território ucraniano, em vez de depender dos envios dos Estados Unidos.

"Vamos conceder a vocês uma licença para fabricar Patriot. Isso é ótimo. Assim, vocês não poderão reclamar que não fornecemos armas suficientes", afirmou o presidente.

Trump afirmou que seu país ensinará a Ucrânia a produzir a arma, destacando que se trata de um processo "muito complexo". "Vocês perceberão rapidamente a complexidade", acrescentou.

No entanto, a decisão de Trump dificilmente aceleraria a produção de mísseis ou mudaria a situação no campo de batalha. Pelo contrário, poderia gerar novos riscos para a própria segurança nacional de Washington.

Anos de trâmites burocráticos

Os dois únicos países que atualmente possuem licença para coproduzir mísseis Patriot — Alemanha e Japão — precisaram superar complexos requisitos legais para ter acesso a essa tecnologia.

Entre eles estavam a construção e a manutenção de instalações que atendessem a rigorosos padrões de produção, incluindo o uso de componentes nacionais; a garantia da segurança de todas as informações técnicas; e a assinatura de acordos de uso final que limitam tanto o emprego quanto a exportação dos mísseis produzidos. Nada garante que Kiev seja capaz de cumprir esses mesmos requisitos.

Além disso, todo o processo levaria anos. O caso da produção de mísseis Patriot GEM-T na Alemanha é um exemplo. No início de 2024, a RTX e a MBDA firmaram um acordo para criar uma joint venture destinada à fabricação desses mísseis em território alemão.

No entanto, a expectativa é que a fábrica entre em operação apenas no fim de 2026 e atinja sua capacidade máxima de produção, na melhor das hipóteses, em 2028, ou seja, quatro anos após o início do projeto.

Obstáculos difíceis de superar

Por sua vez, a Bloomberg informa que as cadeias de suprimentos ucranianas já operam no limite da capacidade e que a abertura de uma nova linha de produção exigiria equipamentos especializados e treinamento, o que prolongaria os prazos do projeto.

Além disso, alguns componentes, como os motores de foguete de combustível sólido, seriam particularmente difíceis de fabricar com a potência exigida e a qualidade constante.

« Por que fabricar mísseis Patriot na Ucrânia não será tão fácil, apesar das expectativas de Kiev? »

Por outro lado, uma nova fábrica de armamentos na Ucrânia seria um alvo prioritário para a Rússia. Por isso, especialistas citados pela Bloomberg afirmam que as instalações deveriam ser construídas na Polônia.

Um golpe para a segurança nacional dos EUA

Especialistas ouvidos pela publicação alertam que essa decisão pode acabar se tornando um grave problema para Washington.

Segundo George Beebe, diretor do programa de Grande Estratégia do Instituto Quincy (EUA), essa decisão "fará pouco para resolver os urgentes problemas da defesa antiaérea da Ucrânia", já que o país eslavo "levará muitos meses para construir uma fábrica. Mas a Rússia atacará essas instalações assim que a pedra fundamental for lançada e, para ter alguma chance de concluir a construção, Kiev terá de deslocar numerosas baterias Patriot de suas posições atuais para proteger a nova fábrica".

"A medida não reduziria de forma significativa o déficit da defesa antiaérea da Ucrânia, mas geraria riscos consideráveis para a segurança nacional dos Estados Unidos ao facilitar que países concorrentes tenham acesso a informações sensíveis sobre sistemas militares americanos. Por isso, o governo Trump deveria rejeitar esse pedido", afirma Jennifer Kavanagh, pesquisadora sênior e diretora de análise militar da Defense Priorities.