O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta sexta-feira (10) que Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, tem "inveja" do conhecimento acumulado pela China sobre minerais críticos e terras raras. A declaração ocorreu durante uma reunião no Palácio do Planalto com ministros, especialistas e representantes do setor mineral, informou o portalMetrópoles.
"Eu, sinceramente, achei que a gente era quase analfabeto nesse assunto e nessa reunião ficou claro o potencial de conhecimento que o Brasil tem em todas essas coisas que parecem uma coisa só da China, obcecada a ser a única do mundo, e da inveja do Trump de querer tomar o conhecimento da China", declarou Lula.
O presidente disse que o encontro mostrou a existência de conhecimento técnico e de instituições capazes de atuar no setor. Segundo ele, o avanço do Brasil depende de uma definição do governo sobre o papel do país na exploração, no processamento e na industrialização desses recursos.
Governo defende processamento no território brasileiro
Lula afirmou que o Brasil não deve concentrar sua atuação na exportação dos minerais sem processamento.
"Nós não queremos ser vendedor de matéria-prima, nós queremos ser exportador de inteligência, de conhecimento. E é isso que a gente vai fazer com essas famosas terras tão raras, que eu ainda não as conheço. Mas vou conhecê-las", frisou.
O presidente também declarou que os Estados Unidos podem passar a considerar o Brasil na disputa pelo controle dessa cadeia.
"Eu confesso a vocês que essa reunião de hoje, essa reunião, é a mudança da nossa história nessa questão das terras raras e minerais críticos. Se o Trump está preocupado com a China, pode começar a estar preocupado com o Brasil, que nós vamos ser detentor de fazer as mesmas coisas, ou mais qualificadas, que o chinês faz", pontuou Lula.
A China controla entre 80% e 90% da cadeia mundial de extração e refino de terras raras, enquanto o Brasil possui a segunda maior reserva desses minerais. Os insumos são utilizados nas indústrias de defesa, tecnologia, veículos elétricos, turbinas eólicas e equipamentos eletrônicos.
Política para minerais segue em discussão
O governo dos Estados Unidos convidou o Brasil, em 2026, para integrar uma aliança voltada ao controle da produção e do refino de minerais críticos e terras raras. O governo brasileiro recusou a proposta por considerar que o mecanismo afetaria a autonomia do país e informou que pretende negociar acordos com outras nações.
No Congresso Nacional, a Câmara dos Deputados aprovou em maio um projeto que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos.
A proposta prevê um fundo garantidor para projetos e crédito tributário de R$ 5 bilhões destinado ao processamento de minérios no Brasil. O texto permanece em análise no Senado.