
Entenda argumentos dos EUA para taxar o Brasil; tarifas podem chegar a quase 40%

O governo dos Estados Unidos avalia a aplicação de duas tarifas adicionais sobre parte das importações brasileiras, que, se somadas, podem chegar a 37,5%. As propostas ainda não estão em vigor e fazem parte de investigações conduzidas pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR). A decisão sobre a adoção das medidas está prevista para 15 de julho, após consulta pública e audiência.
Quais são as propostas
As medidas em análise são divididas em duas frentes:
- Tarifa adicional de 25%, decorrente de uma investigação aberta em julho de 2025 com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos. O processo apura supostas práticas comerciais consideradas desleais pelo governo norte-americano.
- Tarifa adicional de 12,5%, resultado de uma investigação global sobre a adoção de medidas para impedir a importação de produtos ligados ao trabalho forçado análogo à escravidão.
Segundo integrantes do governo brasileiro, as duas propostas podem ser aplicadas de forma cumulativa, elevando a sobretaxa para até 37,5%.

Negociações
O USTR abriu consulta pública sobre o caso brasileiro, com prazo para envio de manifestações até 6 de julho e audiência marcada para 7 de julho. A decisão final caberá ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, até 15 de julho.
Enquanto isso, o governo brasileiro busca negociar a retirada das propostas. O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Márcio Elias Rosa, deve se reunir por videoconferência com o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que os Estados Unidos "mentem" para justificar as tarifas.
O que os EUA questionam
A investigação baseada na Seção 301 reúne críticas a diferentes áreas da política comercial brasileira. Entre os temas analisados, estão:
- funcionamento do Pix;
- comércio digital;
- proteção à propriedade intelectual;
- acesso ao mercado brasileiro para o etanol norte-americano;
- combate à corrupção;
- fiscalização ambiental;
- tarifas de importação;
- combate à pirataria e à venda de produtos falsificados.
Segundo o USTR, essas práticas causam prejuízos a empresas e exportadores dos Estados Unidos.
No caso da investigação sobre trabalho forçado, os EUA avaliam se parceiros comerciais adotam medidas suficientes para impedir que produtos associados a essa prática integrem suas cadeias produtivas.
Produtos que podem ficar de fora
A proposta de tarifa de 25% prevê uma lista de exceções para produtos considerados estratégicos para a economia norte-americana ou que poderiam pressionar a inflação nos EUA.
Entre os itens excluídos da proposta estão café, carne bovina, suco de laranja, frutas tropicais, petróleo e derivados, fertilizantes, medicamentos, terras-raras, determinados metais e peças de aeronaves.
Tarifas em vigor
Atualmente, permanece em vigor uma tarifa global de 10% aplicada pelos Estados Unidos sobre importações de diversos países, incluindo o Brasil. A medida, adotada em fevereiro de 2026, tem validade prevista até o fim de julho.
Ainda não está definido se essa tarifa continuará após esse período nem se poderá ser acumulada com as novas propostas apresentadas em junho.
Caso as novas medidas sejam implementadas, o governo brasileiro ainda poderá apresentar novos argumentos durante o processo, buscar ampliar a lista de produtos isentos e, posteriormente, avaliar uma contestação na Organização Mundial do Comércio (OMC).

