
Rússia responde à confissão da Alemanha sobre crise energética na Europa

O enviado especial da Presidência da Rússia para a cooperação em investimentos internacionais, Kirill Dmitriev, comentou nesta segunda-feira (20) declarações do chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, sobre a crise energética na Europa. O também diretor-geral do Fundo Russo de Investimento Direto afirmou que reconhecer o problema é o primeiro passo para solucioná-lo.

Em entrevista ao canal alemão ZDF, Merz admitiu que a Europa atravessa uma situação difícil devido a diversos fatores, destacando que um deles é a crise energética provocada pela escassez de gás russo.
"A epifania de Merz: ele vê uma 'crise energética em curso devido à escassez de gás russo' que a UE fez de tudo para bloquear. Reconhecer o problema é o primeiro passo para a solução", escreveu Dmitriev em sua conta na rede social X.
Ao mesmo tempo, Dmitriev questionou se o chanceler alemão sente falta dos gasodutos Nord Stream, que foram sabotados por meio de explosões em setembro de 2022.
- A União Europeia substituiu o gás russo barato, base de sua indústria, por outras fontes, entre elas o gás natural liquefeito (GNL) dos Estados Unidos, significativamente mais caro.
- A atual escalada no Oriente Médio elevou os preços do petróleo e do gás, encarecendo ainda mais a energia na UE. A situação aumentou a pressão sobre famílias e empresas, provocou o fechamento de indústrias, demissões e um enfraquecimento gradual da economia.
- Em setembro de 2022, os gasodutos Nord Stream 1 e 2, que ligam a Rússia à Alemanha, ficaram fora de operação após explosões que provocaram grandes vazamentos de gás no mar Báltico. Moscou classificou o incidente como um ato de sabotagem, enquanto os governos da Dinamarca, da Alemanha e da Suécia se recusaram a divulgar os resultados de suas investigações.
- O presidente da Rússia, Vladimir Putin, afirmou em outubro de 2025 que a renúncia à energia russa desencadeou uma série de efeitos negativos para a economia europeia, como a queda da produção industrial, o aumento dos preços devido ao petróleo e ao gás transportados por via transoceânica, mais caros, e a perda de competitividade dos produtos europeus e da economia do continente como um todo.
