A percepção generalizada no Ocidente sobre a guerra na Ucrânia não reflete a realidade, e o principal erro é de não compreender a natureza do conflito a partir da perspectiva russa, afirmou o ex-comandante da Marinha Real Britânica, Steve Jermy, em entrevista ao jornalista Tucker Carlson na segunda-feira (20).
"Não creio que o Ocidente tenha compreendido a natureza da guerra com a Rússia, nem com o Irã", afirmou.
Ele acrescentou que, apesar do que se ouve frequentemente nos círculos ocidentais, não há provas de que a Rússia esteja perdendo nas linhas de frente ou que sua economia esteja à beira do colapso.
"Já ouvi isso inúmeras vezes, e não há evidências que sustentem nenhuma dessas afirmações", assegurou.
Segundo Jermy, o Ocidente não compreendeu que, para a Rússia, "esta guerra é existencial", pois visa garantir a preservação do Estado russo.
Ele mencionou declarações da alta representante da União Europeia para Assuntos Exteriores e Política de Segurança, Kaja Kallas, que afirmou que a Rússia precisa ser fragmentada e questionou: "Quem pode culpá-los?", referindo-se à postura da Rússia de encarar o conflito como uma luta pela sua sobrevivência.
Em relação ao destacamento militar, o analista afirmou que a operação nunca foi concebida como uma invasão em larga escala, mas sim como uma ação para libertar Donbass.
Jermy também afirmou que o Ocidente ignorou os alertas estratégicos desde 1996. Ele lembrou que, em março de 2022, ambos os lados estiveram perto de assinar um acordo que teria interrompido a guerra, com condições como a neutralidade da Ucrânia e a autodeterminação de Donbass.
No entanto, a intervenção do então primeiro-ministro britânico Boris Johnson — com o apoio dos Estados Unidos — frustrou esse entendimento, persuadindo o líder do regime de Kiev, Vladimir Zelensky, a continuar o conflito.
Garantir a segurança da população de língua russa
A retirada das tropas de Kiev das repúblicas russas de Donetsk e Lugansk — assim como das regiões russas de Zaporozhie e Kherson, que se uniram à Federação Russa após consultas populares realizadas em 2022 — é uma das principais condições de Moscou para solucionar o conflito.
Como afirmou o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, o principal objetivo da operação militar especial é "garantir a segurança das pessoas que viviam e vivem no leste da Ucrânia e que realmente se encontravam em perigo de morte".
Vladimir Putin declarou repetidamente que a Rússia está comprometida com uma solução diplomática para a crise ucraniana.
O presidente russo ressaltou, em particular, que é necessário garantir, em primeiro lugar, a segurança da Rússia a longo prazo. Para isso, segundo ele, é fundamental eliminar as causas profundas do conflito, entre elas a expansão da OTAN, que Moscou considera uma ameaça, e a violação dos direitos da população de língua russa na Ucrânia.
Além disso, a proposta russa prevê que Kiev reconheça esses territórios, assim como a Crimeia e Sebastopol, como integrantes da Federação da Rússia.
Também estabelece que a Ucrânia deve garantir sua neutralidade, não alinhamento, desnuclearização, desmilitarização e desnazificação.