
Existe depressão pós-Copa? Psicólogo esportivo esclarece

Após mais de um mês de emoção, quando milhões de fãs de futebol por todo o mundo ficaram grudados nas telas por horas a fio todos os dias, a Copa do Mundo da FIFA de 2026 chegou ao fim no domingo (19).
Agora, muitos desses fãs estão experimentando uma espécie de vazio, uma tristeza, um tanto semelhante àqueles que sofrem de depressão.
Embora não seja uma doença, a chamada "depressão pós-Copa" é um sentimento real que causa angústia, e a ciência oferece uma explicação para isso.

"Ela existe, não como um diagnóstico clínico, mas como uma situação em que o torcedor, o espectador, passou 37 ou 38 dias vivendo e tendo essa oportunidade de aproveitar tudo [...]. Os níveis de dopamina que a Copa do Mundo nos proporcionou nos deixam com um certo déficit. De fato, há um sentimento de desânimo, de 'e agora?'", explicou o psicólogo esportivo chileno Alexi Ponce, professor da Universidade Adolfo Ibáñez, quando consultado pelo jornal La Tercera sobre o assunto.
Do seu ponto de vista, a Copa do Mundo recém-concluída "deixará muito material para análise nos próximos meses", especialmente em situações onde emoções e relações de dependência estão em jogo.
Para ilustrar seu ponto, ele mencionou os álbuns de figurinhas, um fenômeno no qual um número significativo de pessoas de diferentes idades e origens investiu tempo e esforço, graças a poderosas campanhas de marketing.
Reconquistando Espaços
De outro ponto de vista, Ponce acredita que o maior evento de futebol do mundo também facilitou a criação de espaços de conexão que estão ausentes do cotidiano.
"Famílias se reuniram, se encontraram; pessoas que nunca assistem futebol estavam lá. Isso gera sentimentos, emoções que sentimos falta hoje em dia. O que substituirá esse fenômeno? Isso é parte do que estamos trabalhando e estudando", observou ele.
O especialista destacou que esse processo de construção emocional em torno da Copa não começou em junho passado, mas sim vem se intensificando desde o início das eliminatórias, em que os torcedores acompanham — e sofrem — suas seleções nacionais na busca por uma das vagas cobiçadas.
Desta vez, acrescentou, houve novas características, como o fato de o torneio ter sido realizado em três países, com a participação de 48 equipes e mais de 100 partidas disputadas.
"Havia muito interesse, muita demanda por informações [...]. Isso significa que, talvez, outros problemas que acontecem em nosso dia a dia, que acontecem no país, competem emocionalmente. E as pessoas vão aonde podem se divertir. [...]. Acho que fomos submetidos a muita estimulação por mais de 30 dias, de modo que o cérebro está em estado de alerta, em expectativa", avaliou.
O desafio, concluiu ele, é "recuperar certos espaços que foram construídos em torno da Copa do Mundo, espaços relacionados a reencontros, conversas e família", entendendo que nenhuma outra competição de futebol desperta paixões da mesma forma que uma Copa do Mundo da FIFA.
"Agora temos que lamentar um pouco. Não é algo patológico ou debilitante, mas nos deixa com a sensação de que teremos que esperar. Faz parte do cotidiano", acrescentou.

