O secretário de Guerra dos EUA, Pete Hegseth, e o chefe do Estado-Maior Conjunto, general Dan Caine, comparecerão perante o Senado na manhã de terça-feira (21) para depor sobre o pedido da Casa Branca por verbas suplementares, dias após a escalada do conflito entre Washington e Teerã ter deixado três militares mortos, segundo o jornal The Hill.
Hegseth e Caine, juntamente com a secretária de Agricultura, Brooke Rolling, comparecerão perante a Comissão de Orçamento para defender o pedido de gastos suplementares de US$ 87 bilhões feito pelo governo.
O pedido inclui US$ 67 bilhões para financiar a defesa, e parlamentares de ambos os partidos buscam esclarecimentos sobre a estratégia de longo prazo em relação ao Irã e como o Pentágono pretende usar esses recursos.
O financiamento suplementar, que a Casa Branca solicitou formalmente ao Congresso em 24 de junho, financiaria a guerra contra o Irã, ajudaria a conter o surto de Ebola e forneceria assistência a agricultores americanos, entre outras necessidades.
Na época, o pedido foi recebido com pouco entusiasmo pelos democratas, cujos votos serão necessários para sua aprovação. A posição deles em relação ao projeto de lei não parece ter mudado muito nas semanas seguintes.
Qual é o custo da agressão contra o Irã para os EUA?
Os depoimentos de Hegseth e Caine serão suas primeiras declarações públicas extensas desde que o conflito entre EUA e Irã se intensificou em julho.
As forças americanas bombardearam várias partes da República Islâmica, enquanto a nação persa respondeu atacando alvos americanos no Golfo Pérsico.
O Pentágono informou na segunda-feira (20) que quase 100 militares ficaram feridos desde 7 de julho e que 96% deles já retornaram ao serviço.
O custo da guerra contra o Irã aumentou, outro tópico sobre o qual os legisladores poderiam questionar Hegseth e Caine.
O diretor do Escritório de Administração e Orçamento (OMB), Russell Vought, já havia testemunhado perante o Congresso que o custo do conflito girava em torno de US$ 30 bilhões, mas especialistas consultados pelo The Hill afirmaram que o valor é muito maior.
Linda J. Bilmes, professora de políticas públicas na Escola Kennedy de Harvard, disse que o custo da guerra se aproxima de US$ 100 bilhões, chamando-o de "a ponta do iceberg".
Na semana passada, senadores democratas questionaram Jay Hurst, indicado para o cargo de controlador do Pentágono, sobre o custo do conflito, mas ele disse aos parlamentares que não tinha estimativas atualizadas porque não estava no cargo.
No entanto, ele indicou que cooperaria "de bom grado", se confirmado no cargo. Enquanto isso, a senadora Elissa Slotkin, democrata de Michigan e membro do Comitê de Serviços Armados do Senado, informou a Hurst na última terça-feira (14) que, segundo seus cálculos, o valor gira em torno de US$ 98 bilhões.
Hegseth e Caine prestaram depoimento pela última vez perante o Congresso no início de maio, a respeito da pedido orçamentário de US$ 1,5 trilhão do Pentágono, aproximadamente na mesma época em que informaram a imprensa sobre as operações no Irã.
Antes de comparecer perante a comissão do Senado desta vez, Hegseth fará uma reunião confidencial com vários membros da Câmara e do Senado sobre a guerra contra o Irã e o pedido de financiamento adicional, disseram fontes ao The Hill.
Nova fase da guerra
- Os Estados Unidos e o Irã vêm trocando ataques militares há mais de uma semana, em meio a uma escalada que incluiu ataques aéreos americanos em território iraniano e ataques retaliatórios de Teerã contra bases americanas na região. O Comando Central dos EUA também anunciou a retomada do bloqueio naval aos portos iranianos.
- O presidente dos EUA, Donald Trump, declarou que os ataques continuarão até que as capacidades militares do Irã sejam degradadas e ameaçou destruir usinas de energia, pontes e infraestrutura energética caso a República Islâmica se recuse a negociar.
- Teerã afirma estar agindo em resposta às violações do memorando de entendimento por parte de Washington. A Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) advertiu que "nem uma gota de petróleo ou gás" será exportada da região enquanto a agressão americana persistir.