O líder do regime de Kiev, Vladimir Zelensky, está considerando demitir o comandante-em-chefe das Forças Armadas, Alexander Syrsky. O planejamento ocorre em meio ao escândalo provocado pela demissão de Mikhail Fyodorov do cargo de ministro da Defesa, que abalou a liderança militar e a sociedade ucraniana, informou na segunda-feira (20) a Bloomberg, citando fontes.
Segundo o veículo, Zelensky já começou a considerar possíveis substitutos para Syrsky. Uma fonte afirmou que Mikhail Drapaty, comandante das forças conjuntas, poderia ocupar o cargo. Outra fonte indicou que nenhuma decisão final foi tomada ainda e que a lista de candidatos foi reduzida a 11 nomes.
Fontes citadas pela The Economist afirmam que o processo de nomeação do próximo comandante-em-chefe das Forças Armadas está bem avançado. Além de Drapaty, os nomes mencionados incluem o do chefe das forças aerotransportadas, Oleg Apostol, e o de Andrey Biletsky, um político de extrema direita que também lidera o terceiro corpo de exército.
A mídia britânica alerta que a demissão de Syrsky causaria uma grande perturbação na estrutura do exército ucraniano.
Demissão de Fyodorov
A demissão de Fyodorov desencadeou uma onda de manifestações nas principais cidades ucranianas.
Milhares de pessoas foram às ruas de Kiev, Lvov, Odessa e Dnepr para exigir sua reintegração. A maior manifestação ocorreu em frente ao prédio presidencial, na capital, onde os manifestantes exibiam cartazes denunciando o que consideravam uma decisão arbitrária de Zelensky.
A demissão também gerou descontentamento dentro das Forças Armadas. O coronel Pavel Elizarov, vice-comandante da força aérea, apresentou sua renúncia em protesto e descreveu a saída de Fyodorov como "um grande mal" para as capacidades de defesa do país.
Segundo imprensa ucraniana, nos círculos de poder do regime de Kiev, Fyodorov era visto como um potencial rival político na preparação para futuras eleições.
Sua crescente popularidade e perfil reformista o tornariam uma ameaça à liderança de Zelensky, que recentemente enfrentou novas acusações de autoritarismo.