O vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou nesta terça-feira (21) que a Lei da Reciprocidade não deve ser encarada como uma retaliação aos Estados Unidos, mas como um instrumento para responder ao tarifaço imposto pelo governo de Donald Trump sobre produtos brasileiros.
"A ideia não é retaliação. Diz que olho por olho pode acontecer de os dois ficarem cegos. A reciprocidade é: nós estamos sendo injustiçados e queremos corrigir isso", declarou, em entrevista coletiva reportada pela estatal Agência Brasil, após reunião com empresários dos setores afetados.
Segundo Alckmin, o governo finaliza um pacote de apoio estruturado em três frentes. Crédito para empresas; diversificação dos mercados de exportação; e diálogo permanente com o setor produtivo.
Entre as medidas em estudo estão financiamentos pelo Programa Brasil Soberano, flexibilização temporária do regime de drawback e ajustes em exigências para preservação de empregos.
«Entenda a Lei da Reciprocidade que o Brasil pretende usar contra os EUA»
Amenizar danos
"O fato de ser injusta, descabida e indevida não significa que o governo brasileiro não vá adotar todas as medidas para primeiro socorrer quem precisa. O governo brasileiro tem que olhar para os seus setores e tomar as medidas capazes de, no mínimo, amenizar o dano, o custo", afirmou o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços em exercício, Márcio Elias Rosa.
A ApexBrasil também intensificará a busca por novos mercados, com foco em Índia, México, Japão, Singapura e países do Sudeste Asiático, além do avanço dos acordos entre Mercosul e União Europeia, EFTA e Singapura.
O governo ainda aguarda para sexta-feira (24) uma definição dos EUA sobre a possível aplicação de uma tarifa adicional de 12,5% sobre produtos brasileiros.