
UE está ficando sem 'alvos fáceis' em sanções contra Rússia — imprensa

A União Europeia (UE) está com dificuldades para definir novos alvos para as sanções anti-Rússia que poderiam ser incluídas no 21º pacote, visto que algumas opções apresentadas afetam os interesses nacionais de vários Estados-membros, informou o jornal Politico nesta quarta-feira (22), citando fontes familiarizadas com o assunto.

"Após os 20 pacotes acordados, não há mais alvos fáceis. Cada vez mais, você se deparará com os interesses particulares dos Estados-membros, portanto, é preciso encontrar um equilíbrio", afirmou um diplomata da UE envolvido nas negociações.
Segundo o veículo, alguns pontos já foram atenuados ou excluídos do pacote, com cada país europeu procurando proteger seus interesses nos setores da energia, bancário, transporte marítimo e pesca. Os diplomatas ainda esperam chegar a um acordo, mas alertam que todas as partes terão de fazer concessões.
"Loucura não tem limites"
O Kremlin classificou a política de sanções da União Europeia contra a Rússia como "loucura" e afirmou que não há limite para a imposição de novas restrições, em meio às dificuldades do bloco em chegar a um acordo sobre um novo pacote de medidas.
"Não creio que se possa falar em ter atingido um limite para as sanções. Esse limite não existe, assim como não há limite para a loucura", declarou o porta-voz da presidência russa, Dmitry Peskov, nesta quarta-feira (22).
O porta-voz indicou que Moscou considera as sanções "absolutamente ilegais" do ponto de vista do direito internacional e que as restrições acabaram afetando indiretamente a Europa, seus contribuintes e suas empresas, com perdas de bilhões de euros.
Novas sanções
Mais cedo, a alta representante da União Europeia para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança, Kaja Kallas, afirmou que a UE não havia chegado a um acordo sobre o 21º pacote de sanções contra a Rússia.
A Comissão Europeia apresentou seu 21º pacote de sanções contra a Rússia em junho deste ano.
É esperado que que as novas medidas afetem os setores de energia, serviços financeiros e criptomoedas, bem como o comércio, incluindo a pesca.
A UE também planejou desenvolver um mecanismo para reduzir artificialmente o preço das exportações de petróleo russo, estender a proibição de transações a mais 31 bancos e introduzir novas proibições de importação de bens no valor de 60 milhões de euros, incluindo certos metais e peças automotivas.

