
Homem planejou atacar academia militar britânica após acreditar que local treinava tropas de Israel

Mohammad Bashir, de 31 anos, foi condenado nesta quinta-feira (23) à prisão perpétua no Reino Unido por planejar um ataque contra a Academia de Defesa britânica após acreditar, ao lado de Jihad Al-Shamie, que a instalação treinava integrantes das Forças de Defesa de Israel (IDF). Ele deverá cumprir pelo menos 17 anos de prisão antes de poder solicitar liberdade condicional.
Segundo a Promotoria, Bashir e Al-Shamie pretendiam invadir a academia, em Shrivenham, com armas brancas e um falso colete explosivo para provocar o maior número possível de vítimas. A investigação não encontrou provas de que Bashir tenha participado do ataque que Al-Shamie cometeu posteriormente em uma sinagoga em Manchester.
Dois meses antes do atentado à sinagoga, Bashir dirigiu até a academia militar com Al-Shamie para reconhecer o local. Durante a visita, os dois discutiram formas de entrar na base, as armas que utilizariam e o uso do falso colete.
Investigação

O plano foi descoberto durante a investigação do ataque realizado por Al-Shamie em 2 de outubro de 2025, durante o Yom Kippur, a data mais sagrada do calendário judaico. Na ocasião, ele lançou um carro contra pessoas reunidas em frente à sinagoga Heaton Park Congregation, em Manchester, e depois esfaqueou fatalmente um homem.
Outro homem morreu após ser atingido acidentalmente por disparos da polícia enquanto fiéis tentavam impedir a entrada do agressor no templo. Outras três pessoas ficaram gravemente feridas.
Al-Shamie, de 35 anos, havia jurado lealdade ao Estado Islâmico* e foi morto por policiais durante a ocorrência.
Ao anunciar a sentença, a juíza Bobbie Cheema-Grubb afirmou que o plano era viável e que Bashir e Al-Shamie esperavam morrer durante o atentado.
A magistrada disse que os dois pretendiam atacar a Academia de Defesa de forma semelhante ao atentado contra a sinagoga, utilizando armas portáteis e um colete suicida falso.
Falha policial
Bashir deixou o Reino Unido dois dias após o ataque à sinagoga e foi preso em novembro de 2025, ao desembarcar no aeroporto de Manchester após participar de um casamento familiar no Paquistão.
A Polícia da Grande Manchester informou que as mensagens trocadas entre Bashir e Al-Shamie foram encontradas em dois celulares apreendidos com o autor do ataque durante prisões realizadas anteriormente em 2025, por suspeita de estupro e por descumprimento de uma ordem judicial.
A corporação reconheceu que não analisou o conteúdo dos aparelhos antes do atentado e classificou a falha como uma oportunidade perdida.
O chefe da Polícia da Grande Manchester, Stephen Watson, pediu desculpas e afirmou que uma investigação independente avaliará se a descoberta antecipada das mensagens poderia ter evitado o ataque.
*Designado como uma organização terrorista e proibido na Rússia.

