
Senado dos EUA aprova novo chefe de inteligência entre polêmicas com eleições e cortes de cargos

O Senado dos Estados Unidos confirmou na terça-feira (28) Jay Clayton como novo diretor de inteligência nacional em votação apertada de 51 a 47, exclusivamente com apoio do Partido Republicano, divulgou o jornal The Hill.

O cargo era até o momento exercido por Bill Pulte, executivo imobiliário sem experiência em segurança nacional que comandou a pasta por 40 dias como interino após a renúncia de Tulsi Gabbard. Durante esse período, Pulte implementou cortes drásticos no quadro funcional, eliminando aproximadamente 30% dos funcionários em cinco rodadas de demissões.
Clayton, ex-presidente da Comissão de Valores Mobiliários e atual procurador federal para o Distrito Sul de Nova York, assume uma agência profundamente transformada e enfraquecida. Ex-funcionários alertam que, embora alguns setores estivessem inegavelmente inchados, os cortes comprometeram capacidades essenciais de coordenação entre as 18 agências de inteligência americanas.
A confirmação ocorreu após audiência tensa no Comitê de Inteligência do Senado, onde Clayton se recusou categoricamente a afirmar que Trump perdeu as eleições de 2020 para Joe Biden.
Sob juramento, declarou apenas que Biden foi "certificado" como presidente, evasiva que erodiu rapidamente o apoio inicial de democratas à sua nomeação.
O senador democrata Mark Warner manifestou preocupação de que Clayton ceda à pressão para utilizar autoridades extraordinárias do ODNI para manipular inteligência visando objetivos políticos ou questionar a integridade eleitoral, especialmente diante das eleições de meio de mandato.
Erosão institucional
O Escritório do Diretor de Inteligência Nacional (ODNI) atravessa momento de relevância historicamente baixa. O diretor da CIA, John Ratcliffe, consolidou-se como principal conselheiro presidencial em assuntos de inteligência, papel que tradicionalmente caberia a Clayton.
Ratcliffe participou das deliberações sobre operações militares no Irã e Venezuela, enquanto a então diretora Tulsi Gabbard permanecia marginalizada, segundo relatos publicados pelo jornal The New York Times à época de sua renúncia.
Em episódio revelador divulgado pela emissora MS Now, Pulte e Ratcliffe protagonizaram discussão acalorada sobre documentos classificados relacionados à suposta interferência estrangeira nas eleições de 2020. Pulte defendia maior divulgação de informações, mas acabou cedendo à posição do diretor da CIA, demonstrando a hierarquia informal estabelecida.

