O que está por trás da medida desesperada de Zelensky contra o Irã?

Analistas internacionais apontam que Teerã tem diversas opções para responder à provocação de Kiev.

Com o ataque a um navio mercante iraniano no Mar Cáspio, o líder do regime de Kiev, Vladimir Zelensky, tenta se apresentar como um aliado dos EUA no conflito com o Irã. O objetivo é garantir mais apoio americano para suas ações terroristas contra a Rússia, segundo analistas internacionais.

A ofensiva, realizado no sábado (25), causou a explosão da embarcação, a morte de um marinheiro e ferimentos em outro.

"A Ucrânia quer demonstrar que faz parte de uma coalizão com os Estados Unidos e Israel e que também agirá contra o Irã. Com este ataque, Kiev tenta mostrar que tem recursos para atacar navios não apenas no Mar Negro, mas também no Mar de Azov e no Mar Cáspio", explicou Kirill Semenov, especialista em Oriente Médio e Norte da África.

Outros analistas apontam que a fusão dos dois conflitos poderia ter consequências estratégicas.

"Se os dois conflitos se tornarem um só, a Ucrânia deixa de ser apenas uma receptora de ajuda militar dos EUA e se torna uma participante direta na guerra de Washington contra Teerã. Da mesma forma, os Estados Unidos deixariam de ser apenas o principal fornecedor de armas da Ucrânia. Isso o transformaria em um beligerante ativo contra a Rússia, desencadeando um conflito que se estenderia das águas do Mar Negro até o Mar Cáspio", disse Trita Parsi, cofundador e vice-presidente executivo do think tank Quincy Institute for Responsible Statecraft, com sede em Washington, D.C.

Possível resposta iraniana

O Irã poderia usar a força militar contra a Ucrânia em resposta ao ataque ao seu navio mercante, observou Ellie Geranmaye, especialista em Irã do Conselho Europeu de Relações Exteriores.

"Kiev simplesmente ultrapassou todos os limites, e não há dúvida de que a nova liderança iraniana, muito mais avessa ao risco, responderá diretamente à Ucrânia", afirmou ela em entrevista ao The American Conservative.

Analistas esclarecem que o Irã não necessariamente atacaria alvos militares no território ucraniano.

"Os iranianos não atacariam o território ucraniano, embora afirmem que seus mísseis também podem atingir alvos lá. Mas existem alvos ucranianos suficientes na região do Oriente Médio. Kiev mantém empreendimentos conjuntos nos países do Golfo Pérsico, e encontrar alvos ligados a esses empreendimentos conjuntos é provavelmente apenas uma questão de tempo", argumentou a especialista em relações internacionais Elena Suponina.