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Mortes, perseguições e Forças Armadas: Espanha vive caos após entrada descontrolada de imigrantes

Milhares de pessoas conseguiram, tanto a nado quanto por terra, entrar do Marrocos na cidade de Ceuta, no continente africano, onde se viveu uma tensa quinta-feira.
Mortes, perseguições e Forças Armadas: Espanha vive caos após entrada descontrolada de imigrantesAP / Antonio Sempere

fronteira de Tarajal, que separa a Espanha do Marrocos, foi palco de caos nesta quinta-feira (30). A chegada descontrolada de inúmeros imigrantes à cidade autônoma espanhola de Ceuta resultou em pelo menos 18 mortes e cenas dramáticas, que provocaram múltiplas reações internacionais.

Fontes policiais informaram ao jornal espanhol El País que as forças de segurança recuperaram os corpos de 18 pessoas que tentavam entrar a nado em Ceuta, durante a chegada em massa de pessoas vindas do Marrocos.

No último ano, mais de 60 pessoas morreram no mar. Embora nos últimos dias o fluxo migratório estivesse aumentando, o pico ocorreu nesta quinta-feira, com várias cenas dramáticas. Vídeos que circulam nas redes sociais mostram centenas de pessoas atravessando a nado e com boias.

Os imigrantes romperam o cordão policial que havia sido montado em El Tarajal, no lado espanhol, segundo a agência Europa Press. Depois de superarem esse obstáculo, conseguiram entrar em Ceuta, cidade banhada pelas águas do Mar Mediterrâneo.

A Guarda Civil estima que até 40 mil pessoas possam ter entrado de forma irregular em Ceuta, segundo a imprensa local. Até o momento, não há um número oficial. O próprio presidente do Governo, Pedro Sánchez, deve chegar ao local nesta sexta-feira, onde deverá fazer um balanço sobre o ocorrido.

Exército foi acionado

Embora a Guarda Civil tenha sido mobilizada na fronteira sul para lidar com essa situação, o elevado número de estrangeiros — em sua maioria jovens, segundo os relatos — ultrapassou suas capacidades. Ao reconhecer que estava sobrecarregada, o governo autorizou a mobilização militar.

O Exército foi acionado para apoiar os membros da Guarda Civil, em uma das principais medidas tomadas pelo governo espanhol, que, no entanto, se recusou a declarar estado de emergência nacional, conforme solicitado pelo presidente de Ceuta, Juan Jesús Vivas.

Em um clima de tensão crescente, vários setores criticaram a recente regularização de migrantes aprovada pelo governo de Sánchez. No entanto, fontes governamentais citadas pela RTVE afirmaram que a crise "não tem nada a ver" com essa política.

"É falso que alguma pessoa que tenha cruzado a fronteira nos últimos dias possa se beneficiar desse processo, uma vez que ele exige requisitos muito específicos, como comprovar residência na Espanha antes de 1º de janeiro de 2026 e ter permanecido na Espanha por 5 meses ininterruptos no momento da apresentação do pedido", esclareceram.

Repercussão internacional

Enquanto em Ceuta a tensão aumentava, outros governos e entidades repercutiram os embates. Embora dentro da União Europeia (UE) tenham oferecido a Madri o reforço da Frontex [Agência Europeia de Fronteiras e Costas], também houve críticas severas às medidas adotadas.

Na Itália, a primeira-ministra, Giorgia Meloni, afirmou que poderiam suspender o espaço Schengen com a Espanha. "Em relação à imigração ilegal, não recuaremos nem um milímetro: defender as fronteiras, prender os traficantes de pessoas e garantir repatriações efetivas continuarão sendo a linha de ação deste governo", enfatizou.

O governo dos Estados Unidos também comentou as tensões, com uma porta-voz da Casa Branca criticando duramente as "políticas de extrema esquerda e globalistas, incluindo aquelas que permitem a migração em massa". Em entrevista ao Daily Wire, ela alertou que "a Espanha e outros países que adotaram essa filosofia destrutiva deveriam mudar de rumo imediatamente ou correr o risco de seu próprio desaparecimento".

Tensão em Melilla

Enquanto isso, o governo da Espanha decidiu fechar o posto de fronteira de Beni Enzar, em Melilla — o único que liga a cidade autônoma ao Marrocos —, em consequência da tentativa de entrada em massa de imigrantes. O presidente local, Juan José Imbroda, estimou que "cerca de 400 [migrantes], no máximo" conseguiram entrar no território.

Centenas de pessoas foram vistas correndo nos postos de fronteira, enquanto as forças de segurança tentavam conter o avanço da multidão. Uma transmissão ao vivo nas redes sociais, capturou o momento de um incêndio que, segundo o jornal El Alcázar, foi causado pela queima de carros por cidadãos marroquinos.

Do lado do Marrocos, o caos também foi vísivel, com forças de segurança utilizando gás lacrimogêneo e canhões de água na fronteira com Ceuta. Conforme relatou a EFE no local, esses meios foram empregados para dispersar uma multidão reunida.

Diante desse cenário, as autoridades da Espanha e do Marrocos concordaram em aplicar "o mais rápido possível" todas as medidas necessárias para o repatriamento dos cidadãos marroquinos que entraram em Ceuta de forma irregular nos últimos dias.