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'Espanha sofreu violação de sua integridade territorial', afirma presidente do Governo

Pedro Sánchez atribuiu a chegada de mais de 40 mil migrantes irregulares em apenas dois dias às máfias do tráfico humano.
'Espanha sofreu violação de sua integridade territorial', afirma presidente do GovernoGettyimages.ru / Javier Fernandez / Europa Press

O presidente do Governo espanhol, Pedro Sánchez, viajou nesta sexta-feira (31) para a cidade autônoma de Ceuta, na fronteira com Marrocos, para tratar da crise migratória que eclodiu nos últimos dias.

"O que aconteceu foi um ataque, uma violação da integridade territorial da Espanha", declarou Sánchez à imprensa.

Estima-se que, desde ontem, mais de 40 mil migrantes irregulares entraram no território de Ceuta, principalmente a nado, mas também a pé, sobrecarregando completamente uma cidade com pouco mais de 80 mil habitantes.

Após demonstrar solidariedade aos cidadãos de Ceuta, Sánchez expressou sua rejeição ao ocorrido. "Merece toda a nossa reprovação, toda a nossa condenação, no nível mais forte possível", afirmou.

Сulpa das máfias?

O presidente espanhol revelou que, após analisar a situação e conversar com as autoridades marroquinas, concluíram que "a questão subjacente é a interpretação conveniente que as máfias fizeram de uma decisão do Supremo Tribunal", que afirma que as pessoas que entram em território espanhol a nado não podem ser sumariamente repatriadas, considerando que não existe uma fronteira física.

"Parece que essa interpretação da Suprema Corte se espalhou como fogo em palha nas últimas horas pelas redes mafiosas que traficam seres humanos e produziu uma avalanche", explicou.

Sánchez defendeu a hipótese argumentando que, nos últimos anos, o litoral espanhol — citando especificamente Ceuta, Melilla, as Ilhas Canárias e as Ilhas Baleares — tem apresentado uma "redução sistemática na chegada de fluxos migratórios irregulares". Ele destacou que, até o momento, neste ano, o número de chegadas diminuiu 36%, enquanto no ano passado a redução foi de cerca de 40%.

"O que aconteceu ontem quebra uma tendência consistente de redução dos fluxos irregulares", reiterou o presidente do Governo espanhol, que observou que, em relação à segurança, seu governo aumentou o número de agentes da Guarda Civil e da Polícia Nacional em 400 e mobilizou as Forças Armadas.