O governo do Japão anunciará na segunda-feira (3) que realizou uma operação coordenada com o governo dos Estados Unidos no mercado cambial para conter a desvalorização do iene, revelou neste domingo (2) a agência britânica Reuters.
A reportagem antecipa que a ministra das Finanças Satsuki Katayama denote a determinação conjunta em combater o que consideram quedas excessivas da moeda japonesa.
A iniciativa marca a primeira intervenção bilateral desde 2011, quando ambos os países atuaram após o terremoto e tsunami de Tohoku. Desta vez, o objetivo é reverter a trajetória de queda que levou o iene aos menores patamares contra o dólar desde 1986.
- O instrumento de intervenção dos EUA, o Fundo de Estabilização Cambial (ESF, na sigla em inglês), foi criado em 1934 e é operado pelo Federal Reserve (Fed) de Nova York como agente fiscal do Tesouro.
- O exemplo mais recente de seu uso ocorreu em outubro de 2025, quando Washington coordenou uma operação bilionária de swap com a Argentina e comprou US$ 20 bilhões em pesos, diretamente.
Resguardo mútuo
Segundo fontes oficiais, o Japão comprou ienes em horário de negociação em Nova York na quinta-feira (30). Dados do Banco Central japonês indicam movimentação de aproximadamente US$ 59 bilhões para sustentar a moeda.
O Tesouro americano, por sua vez, vendeu euros para adquirir ienes através do Federal Reserve (Fed) de Nova York, utilizando os bancos de investimento Goldman Sachs e Morgan Stanley como intermediários.
A operação ocorreu horas antes de o Banco do Japão manter a taxa de juros em 1%, sinalizando possíveis elevações futuras. O diferencial crescente entre as taxas japonesas e americanas — onde o Fed adotou postura mais agressiva — tem sido fator determinante na valorização do dólar frente ao iene.
O secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, havia declarado na semana anterior que o iene parecia "muito desvalorizado"; uma fotografia de sua agenda em reunião ministerial publicada no sábado (1º) revelou a anotação "comprar Iene Japonês (JPY) US$ 5-10 bilhões".
Analistas citados pela reportagem apontam que a cooperação reflete preocupações compartilhadas. Ambos os países enfrentam riscos inflacionários que podem deixar seus bancos centrais defasados, enquanto o governo americano teme ainda o impacto de uma eventual venda massiva de títulos americanos pelo governo japonês — o que poderia elevar indesejavelmente os rendimentos dos papéis do Tesouro.