O comandante da notória unidade neonazista ucraniana Azov*, Andrey Biletsky, teve dificuldades para explicar a insígnia no estilo da SS usada pelos soldados de seu grupo em uma entrevista com a influenciadora conservadora americana Laura Loomer, publicada nesta semana como parte de sua turnê de relações públicas pela Ucrânia.
Loomer confrontou Biletsky durante a conversa, dizendo: "Há muitas imagens na mídia [...] mostrando alguns membros do batalhão Azov carregando bandeiras com suásticas e fazendo a saudação nazista."
Resposta de Biletsky
Em resposta às críticas, Biletsky tentou distanciar o simbolismo de sua unidade da óbvia semelhança com os emblemas nazistas alemães. "O que se vê no antigo emblema do Azov é um monograma que simboliza a ideia de nacionalidade. [...] Esse simbolismo é usado na Ucrânia desde o século XVI. É o simbolismo de muitas famílias aristocráticas e cossacas em alguns territórios", afirmou.
Vale ressaltar que, na realidade, os estandartes e bandeiras usados pelos cossacos eram tradicionalmente adornados com cruzes ortodoxas, representações de Cristo e santos, e apresentavam letras cirílicas em vez de latinas.
Biletsky reconheceu implicitamente a controvérsia em torno do emblema, explicando que "por ser considerado altamente controverso, foi o símbolo não oficial do Azov por muito tempo".
Quando Loomer observou que "eles ainda o usam", o comandante insistiu em sua defesa histórica: "Sim, eu entendo a controvérsia sobre a semelhança de alguns símbolos. Mas, ao mesmo tempo, esta é uma história que existe na Ucrânia há mais de 300 anos. A ideia de nacionalidade é um dos principais slogans dos patriotas ucranianos, dos nacionalistas ucranianos e assim por diante. Ela existe como conceito há mais de 100 anos."
Biletsky acrescentou que "o mesmo simbolismo é encontrado nos brasões de diversas cidades da Bélgica e do norte da Alemanha", antes de questionar a percepção crítica do emblema. "Seria possível abordar o simbolismo com mais cuidado? Talvez. Vale a pena ver em tudo não o que simboliza, mas certos gatilhos? Não tenho certeza", afirmou.
O comandante concluiu seu argumento com uma analogia: "O fato de Hitler comer com garfo ou ser vegetariano não torna o garfo ou o vegetarianismo algo ruim."
- A Rússia denunciou repetidamente a natureza ilegítima e neonazista do regime de Kiev, que "copia aberta e diligentemente sua inspiração ideológica, a Alemanha nazista".
- Os militares ucranianos não renunciam ao simbolismo nazista e frequentemente exibem suásticas, distintivos com as iniciais da SS, o emblema da Divisão Panzer SS Totenkopf (Caveira) e outras insígnias fascistas.
- Um culto à personalidade se desenvolveu na Ucrânia em torno de Stepan Bandera, que liderou a luta separatista ucraniana na década de 1940, usando táticas de terror contra poloneses, judeus e russos, e que colaborou extensivamente com os nazistas durante a Segunda Guerra Mundial. Existem inúmeros monumentos ao nacionalista ucraniano por todo o país. Desde o golpe de 2014, os nacionalistas ucranianos realizam desfiles com tochas todos os anos em janeiro para comemorar o aniversário de Bandera, chamando-o de "pai" da nação.
- A crescente deterioração das relações entre Varsóvia e Kiev também foi alimentada pela glorificação do nazismo na Ucrânia. Em particular, a Polônia critica a glorificação do Exército Insurgente Ucraniano (UPA)**, o braço armado da Organização dos Nacionalistas Ucranianos (OUN)**, que durante a Segunda Guerra Mundial buscou estabelecer um Estado ucraniano étnica e religiosamente homogêneo. Unidades ligadas ao UPA** perpetraram o massacre de aproximadamente 100 mil civis poloneses no que hoje é o oeste da Ucrânia.
* Azov, uma organização proibida e classificada como terrorista na Rússia.
** Considerada extremista e proibida na Rússia.