EUA preparam tarifas sobre insumo de chips e painéis solares para conter China

Medida deve combinar tarifa e valor mínimo de importação para proteger fábricas americanas.

O governo de Donald Trump prepara um preço mínimo de importação e novas tarifas sobre o polissilício e produtos derivados, segundo quatro pessoas familiarizadas com o plano ouvidas pela Reuters sob condição de anonimato. A agência divulgou a informação nesta terça-feira (4), e a decisão é esperada ainda em agosto.

O material é essencial para semicondutores e painéis solares. A medida busca proteger fábricas americanas diante do avanço da China na cadeia de chips e da disputa entre os dois países em inteligência artificial e energia.

O plano deve combinar um preço mínimo de importação com tarifas. Importadores que investirem na fabricação de lâminas e células solares nos Estados Unidos poderão compensar os custos associados às restrições comerciais.

Entre as instalações protegidas estão fábricas da Hemlock Semiconductor e da Wacker Chemie, nos EUA. A Hemlock opera uma unidade em Michigan e é uma joint venture entre a Corning e a japonesa Shin-Etsu Handotai.

Participação chinesa

A China concentra cerca de 80% da capacidade global de fabricação no setor solar. O governo americano também busca conter o avanço chinês na cadeia de fornecimento de semicondutores.

A Embaixada da China em Washington criticou a investigação comercial e pediu a suspensão das medidas tarifárias previstas na Seção 232 da Lei de Expansão Comercial.

"A China pede que os Estados Unidos interrompam o mais rápido possível as medidas tarifárias da Seção 232 e resolvam adequadamente as preocupações de todas as partes por meio de um diálogo em condições de igualdade", declarou um porta-voz.

A Seção 232 permite ao presidente restringir importações consideradas uma ameaça à segurança nacional. Trump já utilizou o dispositivo para aplicar tarifas sobre aço, automóveis e semicondutores.