
Flávio Bolsonaro critica rebaixamento das relações entre Brasil e Argentina

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) criticou nesta quinta-feira (6) a decisão do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de rebaixar as relações diplomáticas com a Argentina.
Em nota, o parlamentar classificou a medida como resultado de uma política externa "ideologizada e confrontacionista", e afirmou que o Brasil tem acumulado crises diplomáticas com países da região, sem especificar.
Segundo Flávio, o rompimento com Buenos Aires prejudica a relação com "uma nação irmã" e um dos principais parceiros comerciais do Brasil na América do Sul. O senador também afirmou que o governo argentino já declarou que não pretende retaliar a decisão brasileira.

Ao final da manifestação, o filho de Bolsonaro afirmou que, caso haja mudança de governo em 2027, o Brasil voltará a tratar Argentina, Paraguai, Estados Unidos e outros países como "parceiros, não como adversários ideológicos". Ele também enviou uma mensagem ao presidente argentino, Javier Milei, a quem chamou de "estimado amigo".
Decisão do governo brasileiro
Milei foi justamente quem iniciou a crise diplomática. Em convenção do PL que lançou Flávio como candidato à Presidência, o argentino ofendeu Lula e outras autoridades brasileiras.
Depois disso, o Ministério das Relações Exteriores informou ao embaixador da Argentina em Brasília, Guillermo Daniel Raimondi, que as tratativas passariam a ocorrer com o encarregado de negócios argentino. Raimondi também foi informado de que poderia retornar a Buenos Aires.
O embaixador brasileiro na Argentina, Julio Bitelli, foi chamado para consultas e permanecerá em Brasília enquanto a crise não for resolvida.
As medidas foram adotadas depois das declarações de Milei durante a convenção do Partido Liberal que oficializou a candidatura presidencial do senador Flávio Bolsonaro. No mesmo evento, o presidente argentino chamou o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, de "lixo careca".
Declarações anteriores
Nos dias 2 e 3 de agosto de 2026, durante a convenção, Milei chamou Lula de "ladrão" e "corrupto" em entrevista à emissora argentina LN+. O argentino afirmou que o presidente brasileiro "não é inocente" e declarou que "é muito menos grave chamar um ladrão de ladrão do que cometer o ato de roubar".
Em 27 de julho de 2026, Milei publicou cinco mensagens sobre Lula e acusou o governo brasileiro, sem apresentar provas ou indícios, de financiar uma suposta "campanha anti-Argentina" durante a Copa do Mundo.
Lula respondeu inicialmente às declarações com a pergunta "Quem é esse cara?". Depois, durante um ato do PSB, classificou a participação de Milei no evento do PL como uma "patacoada" e afirmou que não pretende transformar as divergências em um confronto entre os dois países.
