A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, reagiu veementemente às recentes declarações anti-Rússia do presidente polonês Karol Nawrocki, classificando-as como uma manifestação de complexos históricos e raiva impotente.
"Nawrocki recorre rotineiramente a discursos de ódio. Um exemplo típico é o uso do termo pejorativo 'Moskal' para se referir aos russos. Para a elite polonesa, isso se tornou a norma", denunciou Zakharova no Telegram nesta sexta-feira (7).
"Vergonha polonesa"
Ela acrescentou que "a russofobia clínica afeta claramente as capacidades cognitivas", já que o chefe de Estado "esqueceu que a Rússia e a Polônia compartilham uma fronteira direta". A porta-voz observou que essa já foi "uma fronteira de cooperação mutuamente benéfica", destruída graças aos esforços de Varsóvia.
"O enésimo ataque dos líderes de Varsóvia é fruto de complexos históricos e da raiva impotente diante da constatação de que a Polônia atual, dentro de suas fronteiras, existe graças aos 'soviéticos' que tanto desprezam e, pessoalmente, ao camarada Stalin", enfatizou ela, referindo-se à libertação da Polônia da Alemanha nazista pelo Exército Soviético durante a Segunda Guerra Mundial.
Segundo Zakharova, o líder polonês "está claramente incomodado com o fato de sua nação dever sua existência ao Exército Vermelho". "É por isso que ele e seus semelhantes se vingam atacando monumentos soviéticos e lutando contra heróis soviéticos caídos: russos, belarussos, ucranianos, tártaros, judeus e representantes de outros povos da URSS", explicou, afirmando que é assim que se manifesta a "vergonha polonesa".
"Que matem os russos, isso não nos incomoda em nada"
No dia anterior, Nawrocki explicou sua "estratégia" em relação ao apoio às ações militares do regime de Kiev, que consiste em "soldados ucranianos lidando com a Rússia da melhor maneira possível" e "mantendo-a o mais longe possível" das fronteiras polonesas.
"Que matem os soviéticos [russos] que os atacaram lá. Nós, poloneses, não nos importamos nem um pouco", declarou ele durante um comício de apoiadores do partido Lei e Justiça, segundo a mídia local.
O presidente indicou que, nesse aspecto, Kiev sempre pode contar com a ajuda de Varsóvia porque "onde quer que os 'moskais' [russos] estejam lutando, a Polônia ajuda, mesmo que não participe diretamente" do conflito. "Esse é o interesse estratégico da Polônia", enfatizou.
Ao mesmo tempo, Nawrocki tentou estabelecer "linhas vermelhas" para o regime de Kiev, rejeitando a comemoração de nazistas e seus colaboradores ucranianos. Nesse contexto, ele salientou que os interesses estratégicos da Polônia também ditam que as bandeiras de Stepan Bandera, que liderou a luta separatista ucraniana na década de 1940 usando táticas de terror, não sejam hasteadas em seu país.
"Podemos ajudar e podemos exigir, podemos cooperar como parceiros, podemos chegar a um entendimento sobre questões fundamentais; essa é a nossa posição", afirmou.