
Menos imigrantes, mais empregos? Dados econômicos dos EUA colocam máxima de Trump em xeque

A economia dos Estados Unidos registrou uma perda inesperada de empregos em julho e viu os números de contratação dos meses anteriores serem fortemente revisados para baixo, conforme dados apresentados pela agência Reuters nesta sexta-feira (7).

O resultado coloca em dúvida uma das principais máximas da política do presidente Donald Trump de endurecimento contra a imigração.
Para o economista Paul Krugman, vencedor do Prêmio Nobel de Economia, os dados mostram que a redução da mão de obra imigrante não resultou em mais oportunidades para trabalhadores nascidos nos Estados Unidos.
"O fato de o crescimento do emprego ter desacelerado tão drasticamente desmente as alegações de que as políticas anti-imigração liberariam vagas para os nativos", escreveu Krugman.
Segundo ele, uma análise preliminar indica que "as perdas de trabalhadores imigrantes nos EUA foram compensadas, na mesma proporção, por uma queda no emprego total em relação à tendência, sem nenhuma melhora nas oportunidades para os nativos".
Fragilidade no mercado
O Departamento do Trabalho informou que a economia americana perdeu 23 mil postos de trabalho em julho, contrariando a expectativa do mercado, que previa a criação de cerca de 80 mil vagas. Além disso, as estatísticas de maio e junho foram revisadas para baixo, revelando que, juntos, os dois meses geraram 103 mil empregos a menos do que o estimado inicialmente.
Embora a taxa oficial de desemprego tenha recuado de 4,2% para 4,1%, a queda ocorreu em meio à saída de 264 mil pessoas da força de trabalho. Com isso, a taxa de participação dos trabalhadores na economia caiu para 61,4%, o menor nível em quase cinco anos e meio.
Economia enfraquecida
Segundo o economista, outros indicadores também apontam para um enfraquecimento da atividade. "O crescimento salarial continua caindo, indicando um fraco poder de negociação dos trabalhadores", observou.
As perdas de empregos concentraram-se principalmente na educação pública local. O setor de lazer e hotelaria também registrou o segundo mês consecutivo de retração, movimento que economistas atribuem ao fim do impulso temporário gerado pela Copa do Mundo da FIFA e a dificuldades nos ajustes sazonais das estatísticas.

